Opinião
O governo Lula e seus cr�ticos
Sérgio Barroso * Por volta dos dozes meses do governo Lula critiquei aqui, na Gazeta, os (as) apressadinhos (as) que recomendavam fazer-lhe oposição. Noutro lugar, combati quem professava a saída das forças de esquerda do novo governo. Recordo, então, o desespero com os rumos iniciais do governo, que assaltou intelectuais respeitáveis, estudiosos do Brasil, como Francisco de Oliveira e Paulo E. Arantes. Considerei os convites à debandada geral como desenganos e voluntarismo, num artigo algo alongado e intitulado ?Sobressaltos da razão dialética?. ?Desenganos? e ?voluntarismo?? Ora, porque é simplesmente impossível que professores com vários livros publicados, de longa tradição na esquerda brasileira desconheçam a orientação teórica e ideológica amplamente predominante no Partido dos Trabalhadores, que o configura (desde suas origens) como espécie de social democracia da periferia do capitalismo; era quase absoluta a ausência da ?questão nacional?, conseqüentemente reduzindo-se o potencial neutralizador à ofensiva do capital financeiro internacional, já em marcha no final do governo Sarney. Simultaneamente, vingava a idéia de que toda aliança com setores democráticos não passava de uma política ?reformista?, ?burguesa?. Não é preciso ser vidente para enxergar os equívocos e a formidável ?desilusão? de agora. Tudo isso não altera o significado histórico do Partido dos Trabalhadores. Nos dois anos e três meses de inédita experiência na história republicana, a importância do governo Lula pode ser resumida, a meu juízo, numa política externa altiva, de largo alcance histórico (na medida em que se consolide), Opondo-se às conseqüências da globalização neoliberal comandada pelos EUA. Esse é o centro do problema. No front interno, a necessidade imperiosa de mudança no miolo da política econômica (especialmente a monetária e a fiscal), não nos pode cegar a ponto de desconhecermos que de março a março (2004-2005), surgiram 1,5 milhão de empregos com carteira assinada - outro problema crucial. E que não mais se pode justificar a canga imposta ao País pelo FMI, uma decisão (por enquanto) simbólica, mas de óbvia implicação política. O governo Lula é de centro-esquerda, a começar pelo tamanho do empresário que é vice-presidente. Notadamente neste mandato ele será um governo amplamente democrático, de defesa da soberania nacional e de iniciativas positivas frente ao grave quadro social herdado. Francamente, leitor (a): em assim sendo... (*) É médico e doutorando em Economia Social e do Trabalho.