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�s m�es, uma homenagem antecipada

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José Medeiros * Sentei-me em frente ao computador para digitar a crônica da semana. Tinha um assunto em pauta para abordar, escolhido previamente. Minha neta, ao meu lado, sugeriu: Por que não escreve sobre o Dia das Mães? - Expliquei que a crônica é publicada às quartas-feiras, um pouco distante das homenagens que são prestadas às mães, no segundo domingo de maio. Não aceitou o meu argumento, com a observação de que todos os dias são dias das mães. Combinei com ela relatar para o leitor uma antiga lenda oriental, que contei para os meus netos no ano passado. Vou repeti-la, de memória. Um jovem muçulmano aproximava-se da residência de sua noiva, quando, à porta, encontrou o ?anjo da morte?. Surpreso e preocupado, perguntou ao malfazejo visitante o que fazia ali. Ele respondeu que vinha buscar sua noiva, pois, no livro do destino, chegara seu momento final. O rapaz desesperou-se, chorou e implorou pela vida da noiva. Tão jovem, iria morrer tão cedo? O ?anjo da morte?, sensibilizado, fez, então, uma estranha proposta. Restavam ao noivo 50 anos de sua existência terrena; ele poderia doar metade desse tempo a sua futura esposa; ambos viveriam mais 25 anos. O rapaz espantou-se. Doar metade da vida a alguém? Pediu o prazo de três dias para responder. Consultou amigos, ouviu opiniões. No dia aprazado, encontrou-se com o ?anjo da morte?. Aceitou a proposta, com uma ressalva: no caso de sua futura esposa não lhe ser fiel, ele retiraria o restante do tempo cedido. Assim foi feito. Meses depois, casaram-se e foram muito felizes. Nasceu um filhinho, saudado com muito entusiasmo. Mas, o homem põe e Deus dispõe. Ele necessitou viajar à Meca, cidade sagrada de sua religião. Ao voltar, recebeu uma trágica notícia: sua esposa havia morrido. - Como foi possível, se doei a ela metade de minha vida? Voltou-se para o céu dirigindo insultos ao representante do destino. O ?anjo? apareceu e explicou o ocorrido: - durante sua ausência a criancinha adoeceu gravemente e esteve às portas da morte. Sua esposa me chamou e ofereceu todo o restante de seus dias para salvar a vida do filho. Uma decisão inabalável, nada a demoveu. E concluiu: enquanto, tu, noivo, hesitastes em oferecer metade de teu período existencial, ela, mãe extremosa, não hesitou um minuto em oferecer, pelo filho, a própria vida, sua vida inteira. Uma história de amor e dedicação. Com carinho, associo-me às homenagens que serão prestadas às mães, no dia consagrado a elas. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde

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