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Compromissos e arma��es externas

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Luciano Siqueira * Eu era feliz e não sabia, expressão de uma canção popular, bem que poderia ser adaptada, hoje, dita de outro modo: eu sou feliz e preciso saber. Não é trocadilho. Apenas um jeito de chamar sua atenção para uma das realizações mais importantes do governo Lula, que tem ficado obscurecida para a maioria da população, talvez você inclusive. Porque a mídia a oculta ou, quando a noticia, o faz desvirtuando o seu verdadeiro sentido. É a resistência que o governo tem levantado contra a Alca, a chamada Área de Livre Comércio das Américas, proposta pelos EUA. No tempo do ex-presidente Fernando Henrique, era bem diferente. Enredado num cipoal de compromissos que condenava a soberania nacional a uma anemia crônica, o Brasil admitia, sem maiores restrições, um desenho para a Alca que, na essência, levado às últimas conseqüências, representava uma quase anexação do nosso país aos interesses comerciais e políticos dos Estados Unidos da América, sem levar em conta os problemas que acarretaria para o País. Isso Lula falou na campanha eleitoral. Discurso de candidato, imaginavam alguns. Pura bravata, acusavam outros. Mas o discurso foi à prática desde o início do governo, quando o Ministério das Relações Exteriores resolveu rever todo o processo encaminhado pelo governo anterior. Nas rodadas de negociação subseqüentes, o Brasil passou a questionar o conteúdo de cláusulas que prejudicavam nossos interesses e dos demais países envolvidos. Sem arroubos nem voluntarismo. Diplomaticamente. Mas de modo consistente e firme, com convicção. Até que a coisa emperrou na reunião de Puebla, no México, em fevereiro do ano passado. E continua emperrada. Concomitantemente, o governo brasileiro reforçou o Mercosul, avançou em gestões destinadas a promover a integração do subcontinente sul-americano e buscou o estreitamento de relações diplomáticas e comerciais com grandes países emergentes fora da esfera de influência norte-americana, como a China, a Índia, a África do Sul e a Rússia. Para um país que pretende se desenvolver em bases soberanas e democráticas isso não é pouco. É decisivo para arrostar as regras de funcionamento da economia global impostas pelos sete países mais desenvolvidos, os EUA em especial. Daí a importância do assunto. E a necessidade de você acompanhá-lo com atenção. Pois disso depende em muito o futuro imediato do Brasil e a melhoria das condições de vida dos brasileiros. (*) É vice-prefeito da cidade do Recife ([email protected])

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