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Voc� viu o Davi?

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Jasiel Ivo * Conheci um senhor bastante idoso, que tinha um neto com pouco mais de 10 anos e esse menino era a felicidade daquele velho, cujos dias eram cheios da alegria daquela criança vivaz e traquina. Mas Davi sempre foi magrinho e todos tinham enormes cuidados e preocupações com a saúde do garoto, tão frágil. O avô nem se fala, vivia às voltas à procura do Davi, entre as ruas do Farol e acompanhando com zelo sua vida escolar no Madalena Sofia. O fato era bastante curioso, pois sendo um homem entrado em dias, mantinha com seu neto uma amizade fantástica, cuidando, orientando, educando, de forma tal que os 70 anos que os separavam não significam nada nessa história de ?pai e filho?. Davi também fazia sua parte, pois em retribuição, querendo ou não, preenchia a vida de seu avô com alegrias e surpresas, carinhos e também alguns aborrecimentos óbvios. Mas nada que abalasse o sólido afeto que os unia e fazia a vida daquele senhor mais alegre. Quando criança, como disse, Davi era frágil e seus avós se desdobraram em cuidados. Hoje o menino já é um adolescente, quase homem feito. Em nada lembrando o garoto de saúde instável. Mas para entender o Davi é necessário conhecer o doutor Floriano Ivo Júnior, jornalista, advogado e ex-combatente da II Guerra Mundial, casado com dona Amália, pai de 11 filhos e antigo morador do Farol, desde a época da Rua 25 de julho, vindo pela Fernandes Lima e entrando na antiga Rua da Areia ou Ipiranga. Tempo em que congestionamento era palavra fora do vocabulário dos moradores da região. Floriano faleceu recentemente, em Maceió, com mais de 80 anos bem vividos. Assim ficou o Davi órfão, pois o avô sempre foi o seu pai. Tanto isso é verdade que o vizinho deles, Luiz Gonzaga Filho, escreveu um artigo publicado na Gazeta de Alagoas, realçando que Floriano, homem inteligente e de boa prosa, quando passava pela Desembargador Tenório conversava, conversava e logo arrematava, com ar sério e preocupado: ?Você viu o Davi?? O Davi era, portanto, o centro da vida afetiva do seu dedicado avô. Tão grande era o amor daquele velho por seu neto, e, tantas eram suas atenções com o Davi, que ontem parece que alguém viu o doutor Floriano, vestido em seu impecável paletó de tirilene inglês, gravata e lenço de seda à mostra no bolso e as insígnias e condecorações de ex-combatente na lapela, sapatos bem limpos e perguntando na vizinhança, com ar de muita preocupação: ?Você viu o Davi??. (*) É juiz de Direito e professor da Universidade Federal de Alagoas.

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