Opinião
Aviso confirmado
Aviso não tem faltado. Ontem mesmo, esse espaço editorial foi dedicado ao ?aviso das águas?. Aqui lembrávamos que as ocorrências trágicas que anteriormente castigaram o povo alagoano, se anunciavam recorrentes por meio dos tumultos provocados pela chuva desabada sobre a capital alagoana na segunda-feira. E aqui chamávamos a atenção de que tais ocorrências deveriam servir ?de advertência e provocar dos gestores e fiscalizadores da administração pública investimentos suficientes em ações contra conseqüências piores?. E esse pior já está em curso. Repetindo o já muito repetido, é indispensável dizer novamente que não se luta contra a natureza. Devemos nos harmonizar com ela, saber viver e sobreviver às intempéries. O regime de chuvas e de secas em nosso Estado é sobejamente conhecido, os riscos do nosso clima não são novidade. O que devemos fazer? Simplesmente não esperar a chuva como um acidente imprevisível (e nem ter a seca como uma surpresa). O correto em primeiro lugar é evitar ? ou ao menos minimizar ? as agressões ao meio ambiente. Compreender os manguezais como áreas alagadiças que protegem também contra as enchentes (naturalmente, as áreas baixas de mangues sempre serão cobertas por água); entender que as encostas, também chamadas grotas, deslizam e desabam quando desnudadas de sua vegetação natural e indevidamente ocupada por habitações (ou subhabitações); saber que as margens de rios, lagoas e mar são perímetros de inundação líquida e certa. Devemos nos preocupar com o escoamento das águas pluviais mantendo cotidianamente (seja verão ou inverno), as galerias desobstruídas. Se isso não é observado, as conseqüências são óbvias. E sabemos que, nesses casos, não adianta culpar a natureza por nosso infortúnio. E mais, sabemos que apenas começamos a viver a época de chuva.