Opinião
Uma luta justa
Representantes dos aposentados e pensionistas, que no mês passado chegaram a fazer protestos, inclusive na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no mesmo dia em que estiveram apresentando suas reivindicações ao vice-presidente José Alencar e outras autoridades do governo federal, acabam de voltar a Brasília a lutar por uma mesma e antiga causa. Eles querem simplesmente a aplicação do mesmo percentual concedido ao salário mínimo ao valor dos benefícios, ou seja 15,38%, ao invés dos 6,35% que começarão a ser pagos no próximo mês. Segundo o senador Paulo Paim, que acompanhou os reivindicantes nesses encontros em Brasília, se o governo federal não conseguir assegurar esta equiparação, o aposentado brasileiro que ganha mais do que um salário mínimo vai ganhar, num prazo de cinco anos, apenas um salário. O próprio parlamentar petista é autor de um projeto de lei apresentado há cerca de dois anos propondo a revisão automática de todos os benefícios, acompanhando os índices do salário mínimo. Diante do oportuníssimo alerta feito pelo senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, o que não dizer das famílias que sobrevivem com menos de um salário mínimo e das condições de vida de mais da metade da maioria dos aposentados e pensionistas deste País que recebem o salário mínimo? E como será o futuro da situação de cerca de 27 milhões de trabalhadores ocupados e que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão excluídos socialmente, pois não recebem nenhum tipo de benefício previdenciário? E também de mais de 30% das pessoas com 60 anos ou mais de idade que ainda trabalham e são obrigadas a maiores gastos, principalmente com medicamentos, sendo a maioria delas referência na renda da família?