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| Dom Edvaldo G. Amaral * Indignação! - Foi esse o sentimento que se apoderou de meu espírito, ao tomar conhecimento de fatos tristes ocorridos na Casa Dom Bosco dos meninos de rua de Maceió, protagonizados por quem deveria defender o direito e a justiça dos cidadãos. Em primeiro lugar, acusa-se a Casa Dom Bosco de fazer os meninos, lá educados, passarem a pão e água, como única alimentação. Depois, estrategicamente e sub-repticiamente, aproveitando-se a ausência justa do diretor da casa e vice-presidente da Fundação mantenedora, invade-se (literalmente ?invade-se?) aquela casa de educação, sem prestar atenção a ninguém, com aparato policial, como se estivesse desmontando uma célula de traficantes. Vai-se na despensa e seqüestra (não seria mais exato dizer ?se rouba??) aquilo que no juízo daqueles senhores estava de sobra e se leva o fruto da rapina não sei para onde. Todos aqueles alimentos retirados de lá eram frutos de doações espontâneas e todo o fim de mês são distribuídos para outras entidades assistenciais, que não contam com a ajuda dos benfeitores, que a Casa Dom Bosco conquistou com seu trabalho sério e reconhecido por muitos. Mas onde estamos? Isso é estado de direito ou puro e simples arbítrio? Não se tem notícia de fatos similares em nenhum regime totalitário. Isso reflete preocupação com a redenção social e moral dos meninos abandonados, meus queridos ?cheira-cola?, ignorados por essa sociedade corrupta e hipócrita; ou é simplesmente vingança contra quem tomou medidas saneadoras do serviço público? Apelo daqui, do arquipélago de Fernando de Noronha, onde me encontro em atividade pastoral, ao exmo. governador, eng. Ronaldo Lessa, em quem confio muito e que corajosamente já defendeu a Casa Dom Bosco em outras oportunidades difíceis. Confio na visão política do sr. prefeito, que pensou em confiar à Igreja, na pessoa de um humilde sacerdote, a impossível tarefa (como se revelou pelos fatos) de moralizar o serviço de assistência à infância e à adolescência em nossa querida Maceió. Suplico a essas duas autoridades que mandem examinar os fatos e tomem as providências que julgarem cabíveis. Mas, meus amigos, que uma boa conversa e um leal entendimento não possa resolver, sem atitudes atrabiliárias, havendo sempre boa vontade por parte dos dirigentes da Casa Dom Bosco. (Advirto que esse artigo é de minha inteira e total responsabilidade e que uma cópia dele está sendo enviada agora ao sr. governador e ao sr. prefeito). (*) É presidente da Fundação João Paulo II de Maceió.

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