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Sa�de da mulher: uma reflex�o

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Jovânia de Oliveira * Na atualidade muito se comenta a respeito da assistência, sua caracterização, dimensões e possibilidades. Sabe-se que está voltada à padronização de procedimentos que, na maioria das vezes, apresentam-se através do distanciamento do profissional de saúde na assistência ao cliente, mostrando-se indiferentemente ao cuidado - que deve ser traduzido como ato de compreender cada pessoa enquanto ser singular, considerando a pessoa em sua condição de ser existencial, em suas possibilidades para manifestação de seus sentimentos de modo particular, vivência de suas experiências, que muitas vezes traduzem-se em lições de vida. E o que nos impulsiona a julgar que assistir e cuidar constituem as mesmas características na atenção à saúde? Se prestarmos atenção, já no século XIX o cuidado foi apresentado numa perspectiva voltada para a essência de um cuidar autêntico - tese defendida por Martin Heidegger em sua célebre obra Ser e Tempo. Muitos trabalhos de pesquisa vêm apresentando essa temática na dimensão da humanização e do assistir, contudo, numa visão heideggeriana o cuidar transcende a humanização e o assistir, sobretudo no que se refere ao modo de ser de cada um ? enquanto ser singular em sua autenticidade. Relacionado à dimensão entre a assistência e o cuidado à saúde da mulher, preocupam-me as possibilidades que isso pode representar para os profissionais de saúde que, no cotidiano, lidam com o ser mulher nas fases pré, trans e pós-parto, ou seja, no período gravídico-puerperal, momentos em que a mesma vivência alterações emocionais que se mostram como estados de tensão, medo e insegurança, sentimentos expressos por cada mulher individualmente, relacionado ao seu modo de ser. Considerando a relevância desse tema, pude comprovar em minha prática como enfermeira e docente, em pesquisa intitulada: Vivência de adolescentes ante o parto normal: um enfoque compreensivo pela enfermagem, que os profissionais de saúde encontram-se distanciados do ser que recebe a assistência. Desse modo, acredito que os profissionais de saúde que lidam cotidianamente com a mulher nessa fase da vida, necessitam alertar para a construção, busca e valorização de um cuidado que esteja voltado à compreensão da mesma em sua singularidade, atuando de modo a colocar em prática, em seu cotidiano, o respeito a mulher - independentemente de classe social, credo religioso, raça e cor. Nós, profissionais de saúde, precisamos estar atentos ao cuidado que dispensamos à clientela. (*) É enfermeira e professora da Universidade Federal de Alagoas.

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