Opinião
Um artista alagoano
LUIZ BARROSO FILHO * O programa comemorativo dos 40 anos da TV Globo, no dia 26 de abril, prestou uma homenagem póstuma a vários apresentadores, jornalistas e atores que fizeram parte da história de sucesso da emissora. Entre os artistas lembrados, chamou a atenção dos telespectadores com mais de 40 anos de idade e que se interessam por dramaturgia e música, o nome do ator e compositor alagoano Sadi Cabral, que nos primórdios da Globo teve atuação destacada nas novelas Minha Doce Namorada e O Primeiro Amor. Sadi Souza Leite Cabral nasceu em Maceió no dia 10 de setembro de 1906, radicou-se ainda adolescente no Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira profissional, tendo trabalhado no rádio, teatro, cinema e televisão. Formado na Escola Dramática Municipal do Rio de Janeiro, introduziu no Brasil o conhecido e revolucionário ?Método Stanislavski?, criado pelo dramaturgo russo Constantine Stanislavski, que desenvolveu um novo estilo de cena e representação dramática, caracterizado pelo realismo com naturalidade total de movimentos e de dicção, exigindo do ator uma identificação perfeita com a biografia do personagem, a fim de estabelecer maior emoção e empatia entre palco e platéia. Em 1938, Sadi Cabral escreveu com o compositor Custódio Mesquita a opereta A Bandeirante e atuou em dezenas de peças ao lado de nomes consagrados do teatro, como Procópio Ferreira, Cacilda Becker, Paulo Autran, Natália Timberg, Grande Otelo, Derci Gonçalves, Sérgio Cardoso, Maria Della Costa, Jardel Filho, Beatriz Segal, Lima Duarte. Tendo estreado no cinema em 1936, no filme Bonequinha de Seda, Sadi Cabral participou de 59 filmes, incluindo o festejado Rio, 40 Graus, precursor do cinema novo brasileiro, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Da sua extensa filmografia constam ainda os clássicos: Sagarana, O Duelo, Seara Vermelha, Bahia de Todos os Santos, Gaijin, Os Caminhos da Liberdade, Os Sete Gatinhos e Chuvas de Verão. Na década de 40, o talentoso artista apareceu no cenário musical brasileiro, como letrista da valsa Velho Realejo e do fox-canção Mulher, composições antológicas lançadas pelo seresteiro Silvio Caldas e regravadas por outros intérpretes famosos, como Carlos Galhardo e Nelson Gonçalves. Mulher, sua música de maior sucesso, também foi gravada por Nara Leão, fez parte da trilha sonora da novela Carinhoso (1973), interpretada pelo instrumentista Márcio Montarroios e foi tema de abertura da novela Mulher (1998), na voz de Emílio Santiago. Praticamente desconhecido em Alagoas, Sadi Cabral faleceu no dia 23 de novembro de 1986, aos 80 anos, em São Paulo. (*) É advogado e membro da Comissão Alagoana de Folclore.