Opinião
100 anos de paix�o
GERALDO SANTIAGO * Hoje, o Sport Club do Recife comemora 100 anos de existência. Nascido em 13 de maio de 1905, sob a sombra de um sapotizeiro, o Sport atravessa um século despertando emoção e cultivando paixão. Há 50 anos, o clube comemorava seu cinqüentenário ao som do hino ?...ser Sport é ter fibra de guerreiro, ser Sport é saber ser campeão. Cinqüenta anos de lutas e de glórias...?. Nasci um ano antes e passei a infância ouvindo essa música na velha radiola de José Santiago, meu pai. Impossível esquecê-la. Ela trazia em sua letra e música a essência do que é ?ser Sport?. Embalados por essa essência de dedicação e paixão, nós rubro-negros construímos a Ilha do Retiro. O invejável patrimônio, que orgulha o Nordeste, foi erguido, em grande parte, com as próprias mãos dos nossos antepassados. Sócios e simpatizantes ?pegaram no cimento? para construir o estádio a tempo de sediar jogos da Copa do Mundo de 1950. As atividades duraram até vinte horas diárias e, como bem disse o historiador Manoel Heleno, parecia uma colméia no seu apogeu. Fizemos o estádio a tempo e a Ilha participou da Copa do Mundo. Faltava construir a sede, as piscinas, os ginásios, as quadras de vôlei, hóquei e tênis, a garagem de remo, a concentração. Faltava muito. Queríamos fazer um clube bem grande, imenso. E lá fomos nós pelo Recife afora juntar ferro velho, jornais e garrafas para vender e angariar recursos. Depois, veio a campanha do cimento e a velha Kombi da família Santiago passou a ser um caminhão, tanto que afundou o piso. Em cada treino do Sport, o ingresso era um tijolo e por isso passei a infância com calos nas mãos. A Ilha foi erguida assim, em mutirão, com cada um dando o que podia. Desse trabalho coletivo veio o imenso amor pelo clube que construímos. Aquela Ilha também é minha. Ajudei a fazer. Aos 100 anos de vida, o Sport possui um dos maiores complexos socioesportivos do País e disputa todas as modalidades olímpicas, ajudando a formar uma nova geração sadia, comprometida com o bem-estar da sociedade. Duas vezes Campeão Brasileiro, da primeira e da segunda divisão, 34 vezes Campeão Estadual, 3 vezes Campeão do Nordeste e incontáveis títulos em todas as modalidades. Sempre com muita luta. Valente até no símbolo que tem, o leão, graças aos paraenses que teimaram em não entregar o troféu que nossos atletas conquistaram no Pará, em 1919. Um lindo leão de bronze, esculpido por um artista francês. Teve que ser entregue na briga, na tapa. O leão veio. Quebrado, é verdade, mas veio. Hoje está bem guardado na sala de troféus e virou o símbolo do clube. (*) É diretor de operações da Ceal.