Opinião
A pol�mica da cartilha
EDUARDO BOMFIM * Recentemente surgiu nos meios intelectuais, partidários e acadêmicos um enfurecido debate sobre uma cartilha, cujos objetivos se baseiam na orientação do que viria a ser politicamente, eticamente, correto em termos de classificação de nomes e situações de todo o tipo. Tida como inspirada na chamada Ação Afirmativa de matriz norte-americana, cujos preceitos visam à ?democratização? do apartheid nos EUA. Quer dizer, uma África do Sul anterior à vitoriosa revolução libertadora, sob a liderança de Nelson Mandela. Uma peça da complexa ideologia do chamado multiculturalismo que foi espalhado pelo mundo afora através do poder midiático do grande império do Norte. O seu verdadeiro objetivo é o de oferecer certas igualdades de oportunidades às elites descendentes de diversos povos que conformam o mosaico daquela nação, abstraindo as injustiças sociais. E que não se miscigenam desde a sua formação enquanto sociedade, quer pelas características da colonização que ali se processou, quer pelos credos religiosos puritanos, defensores da suposta superioridade de uma raça branca pura, que representavam. A genética, a biotecnologia e outros grandes avanços atuais da ciência demonstram cabalmente a impossibilidade da existência de uma sociedade branca superior, como os arianos, tese defendida pelos nazistas de Hitler. Igualmente, comprova a incessante mistura, ao longo de milhares e milhares de anos, da comunidade humana. As diferenças se encontram, essencialmente, na pigmentação das pessoas, sem nenhuma outra relação de superioridade ou inferioridade de qualquer espécie. Daí porque o racismo é a expressão ideológica da manutenção de privilégios. De outro lado, a ignomínia, o crime hediondo do escravismo, assolou todos os grandes agrupamentos, em todos os continentes, sendo que o mais recentemente massivo e aberrante deu-se no território africano. Mas, estudos das Nações Unidas insistem na existência, na permanência atual da escravidão, cujas motivações sempre foram, em todos os tempos, econômicas. Mesmo que mescladas com justificativas de ?limpeza? racial ou outras canalhices do gênero. Pois muito bem. A chamada Ação Afirmativa, oriunda dos EUA, expande o seu indisfarçado sentido estratégico de legitimar a ?segregação civilizada?. Escudada na onda fundamentalista, falso moralista, que se alastrou pelos Estados Unidos, procura padronizar atitudes sociais, típicas daquilo que é atrasado na formação anglo-saxônica, principalmente em relação à diversidade das culturas de outras civilizações, miscigenação e comportamento em geral. (*) É advogado.