Opinião
Desarmamento: exagero e desinforma��o
Almir Pazzianotto * Os brasileiros jamais foram guerreiros e fanáticos por qualquer modalidade de arma. Não temos heróis no estilo do general Patton, que não dispensava o Colt 45 no coldre, ou como John Wayne, que simbolizou, no cinema, o cowboy americano paladino do oeste selvagem. As nossas paixões são outras, como carnaval, futebol, churrasco, feijoada. Nem mesmo as Forças Armadas podem se gabar de deter moderna tecnologia em termos de defesa ou ataque. A maior parte da população não está ligada à arma de fogo. Basta verificar o número de lojas que se dedicam a esse tipo de comércio. Muitos, porém, conservam revólver de 5 ou 6 tiros, ou espingarda cartucheira, como lembrança da família e instrumento de legítima defesa. A campanha de desarmamento da população de bem, como reconhece o ministro da Justiça, peca pelo exagero. S. Exa., criminalista de renome internacional, está à procura de solução radical que, se adotada, transformará milhares de pessoas em criminosos, por portarem arma para eventual defesa da família, em caso de invasão da residência. O que alimenta a criminalidade é a falta de controle e de fiscalização do contrabando, da venda ilegal de armas e do crime organizado. As polícias ? refiro-me a todas as polícias estaduais ? nunca dispõem de efetivos suficientes para garantir a segurança da população. Ademais, arma não é unicamente a arma de fogo. De acordo com o dicionário, é ?qualquer instrumento de ataque ou defesa?. Facas, navalhas, foices, machados, garrafas, pedras, porretes podem ser tão letais quanto uma arma de fogo. Presenciei, na Av. 23 de Maio, um cidadão descer do automóvel armado com bastão de ?beisebal?, para agredir outro motorista, por algum problema de trânsito. Flamínio Fávero, na conhecida obra ?Medicina Legal?, mostra vítimas de lesões graves e mortes, cometidas a dentadas, navalhadas, cacetadas, água fervente. Fosse possível desarmar a população toda, e não apenas aqueles que vivem na legalidade, não ocorreriam rebeliões e assassinatos nos presídios e na Febem, com a utilização de chuços e estiletes, produzidos não se sabe como, nem a partir do que. A aquisição de armas de fogo, para fins de defesa pessoal e patrimonial, deve ser alvo de rigoroso controle. É apropriado, também, que vigilantes, colecionadores, atiradores e caçadores se submetam a legislações específicas e atualizadas. O que não me parece certo é obrigar-se a população, em grande parte desinformada, a referendo para que responda ?sim? ou ?não? a pergunta revestida de tanta complexidade. (*) É ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho