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quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
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Opinião

N�o posso acreditar

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Marcial Lima * Por intermédio da imprensa, tomamos conhecimento que o senhor prefeito Cícero Almeida pretende extinguir o órgão de cultura do município. Não deve ser verdade. Não posso acreditar. Seria um retrocesso! Principalmente agora que o Ministério da Cultura (MinC) investe alto na descentralização, rompendo com paradigmas fortemente arraigados, em que cerca de 85% dos recursos eram carreados para o Sudeste, atendendo aos interesses das grandes corporações. Logo agora, que vamos receber em nossa cidade altos representantes do MinC que vêm, justamente, dizer como o Estado e os municípios alagoanos poderão participar do Cultura Viva, um programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania. Vêm não somente dizer, mas firmar convênios com o governo do Estado e com os diversos municípios alagoanos, por meio de sua associação. Isso facultará o surgimento de uma rede horizontal de articulação, recepção e disseminação de iniciativas e vontades criadoras, que nos levarão, sem distinção partidária, a um novo processo social e cultural, onde diversos agentes, capacitados e destinatários de recursos financeiros e materiais terão a oportunidade de articular e impulsionar um conjunto de ações em suas comunidades, e delas entre si. Dentre as ações possíveis, teremos os Pontos de Cultura, que correspondem a um sonho há muito cultivado. Um ponto de cultura pode ser instalado em uma pequena casa, num barracão, num centro cultural. Basta que os agentes de nossa cultura viva se apresentem, se organizem e se ofereçam, desencadeando um processo orgânico, agregando novos agentes e parceiros, identificando núcleos de apoio, que podem ser instalados numa escola, no salão da igreja, na sede da associação de moradores, na garagem da casa de algum voluntário, não importa o lugar, mas que funcione. Só esse projeto prevê, por unidade, 165 mil reais para investimento; 50 bolsas do Programa Primeiro Emprego, no valor de 185 reais para jovens, que receberão capacitação e, ainda, o valor de 20 mil reais para aquisição de equipamento multimídia, composto por microcomputador, miniestúdio para gravar CDs, câmara digital e ilha de imagem. Tais equipamentos darão o suporte tecnológico indispensável às ações implementadas. Maceió, porém, só poderá contar com essa oportunidade ímpar, necessária, cidadã e inteligente se tiver em sua estrutura um órgão próprio de cultura, com um conselho paritário e deliberativo e um fundo específico. Diga que não é verdade, senhor prefeito! Maceió não pode, mais um vez, perder o trem da história. (*) É ator e professor

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