Opinião
O Pent�gono: novos enfrentamentos
Sérgio Barroso * Reeleito, o chefe da Casa Branca acelerou a ofensiva contra os poucos países que quase sempre ignoram pressões e chantagens. Desde Washington amplifica-se a cada minuto o férreo controle midiático. O presidente dos EUA anunciou reforço à ?guerra contra o terrorismo?, e repisou seu desprezo pela legalidade internaciona. Bush - diz o lingüista Noam Chomsky - ampliou os ataques contra os direitos humanos de cidadãos norte-americanos e estrangeiros. Sem escrúpulos, elegeu para secretário de Justiça, Alberto Gonzales, troglodita conhecido pelos seus pareceres a favor da tortura. Trocou, no nevrálgico Departamento de Estado, o comandante-geral de guerras (entretanto de ares algo sóbrios), Colin Powell, pela pianista e especialista em anticomunismo, Codolezza Rice, moça dedicadíssima à doutrina da ?guerra preventiva?. Bush nomeou John Dimitri Negroponte - um facínora conhecido por seu papel na guerra suja empreendida por Reagan para destruir a revolução na Nicarágua, de comprovadas ligações com mercenários da América Central -, para coordenar todas as agências de espionagem estadunidense. Indicou, recentemente, seu subsecretário da Defesa e estrategista da guerra contra o Iraque, Paul Wolfowitz, à presidência do Banco Mundial. E enfiou John Bolton - contumaz ultradireitista que quer a ONU a funcionar num anexo do banheiro do Salão Oval - na representação dos EUA naquela organização. Espante-se não, leitor (a), pois tudo isso é ?café pequeno? diante da insanidade imperialista de Bush. O novo documento do Pentágono, A Estratégia de Defesa dos EUA, liberado no último 18 de março, lista nada menos que 25 países candidatos à intervenção militar! Tornando ?suave? o anterior (Reconstruindo as Defesa das Américas, 9/2002), as novas diretrizes incluiriam na tal lista (ainda) ?secreta?, candidatos à invasão como Venezuela, Bolívia, Peru, Haiti, Nigéria, Sudão Argélia, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, e Nepal. Daí um orçamento militar que este ano alcança US$ 420,7 bilhões - 7,9% maior que 2004 -, ou metade dos gastos militares do planeta, ou ainda nada menos que 16 vezes o orçamento militar da China! Curioso: também março chegou a Pequim o chefe do Estado-Maior da Rússia, Y. Baluyevsky. Com L. Guanglie, de igual patente militar na China, Baluyevsky acertou a primeira manobra militar conjunta na história dos dois países, no segundo semestre de 2005. Manobra que é resultado ?da associação de cooperação estratégica em todos os aspectos entre China e Rússia?, disse o porta-voz chinês.