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Opinião

Coisas da publicidade

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Dom Fernando Iório * A propaganda, bem assim a publicidade dominam a vida na sociedade. Criam opinião pública e dirigem o mundo do consumo. Quando quer, o governo falar bem de sua política, estamos diante da propaganda. Para orientar os consumidores apela-se para a publicidade. Não sei se têm consciência do que dizem, mas os conhecidos como bons publicitários afirmam que não estão preocupados em vender produtos, senão em oferecer imagens! E emoções. Se é o caso, pode a publicidade influenciar a solidariedade, a partilha, a fraternidade, vendendo ?imagens? e ?emoções?. Encontrava-se solitário cego sentado numa calçada de Paris, servindo-se de um simples boné a seus pés para depósito de dádivas e de um pedaço de madeira, tendo escrito em giz branco: ?Por favor, ajude-me, sou cego?. Desconhecido publicitário que por ali passava parou e divisou pouquíssimas moedas no boné do cego. Tomou o cartaz, virou-o, escreveu outro anúncio, colocou-o aos pés do cego e seguiu seu itinerário. Pela tardinha, retornou o publicitário. Passando em frente ao cego, descobriu que o depósito que recolhia as dádivas estava repleto de notas e moedas. De logo percebeu o cego as pisadas do benfeitor e lhe perguntou se tinha sido ele quem reescrevera o seu cartaz, querendo saber, sobretudo, o que havia corrigido, em sua mensagem. Respondeu o publicitário nada ter escrito que não estivesse de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras. Sorriu e continuou o seu trajeto. O novo cartaz assim dizia: ?Hoje é primavera em Paris e eu não poso vê-la?. Não quis o publicitário vender coisas, mas suscitar emoções, vender imagens. Provocar nas pessoas que lessem a mensagem uma reação imediata. O importante não é lançar qualquer publicidade, mas conhecer a melhor mensagem capaz de sensibilizar, criar emoções e convencer quem decodifica o anúncio a seguir determinada direção. Encontramos em nossas estradas e em não poucos lugares de Maceió, um ?outdoor? que ostenta um verbete isolado: - Orgulhosos - tendo ao lado a efígie de renomado político. Alguém que vinha em meu carro, morador de Santana do Ipanema, olhou o anúncio que se divisava ao longe e disse: - aquele candidato me chama de orgulhoso; para que eu ler o resto? O resto era a metalinguagem, com um belo texto a explicar o motivo do orgulhoso. Ficara, entretanto, prejudicada a mensagem por uma palavra que, mal colocada, chocava, criando um impacto negativo para certo tipo de pessoas. (*) É bispo da cidade de Palmeira dos Índios.

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