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Cristaliza��o ou Reconstru��o da Mem�ria?

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Leda Almeida * Comemora-se no dia 18 de maio o Dia Internacional dos Museus. Pois bem, estando eu à frente de um dos mais belos museus de Alagoas, o Théo Brandão, senti-me impelida a fazer uma reflexão sobre o papel dos museus. Começo notando que quem assume a direção de uma instituição cultural dessa natureza, depara-se, logo de início, com duas possibilidades de memória: aquela que se volta para o passado e nele se cristaliza e se aliena do tempo vivido, e uma outra, que dialoga com o passado, mas se orienta para o presente. Às instituições de memória, particularmente aos museus, sempre é atribuída a função de guardar tesouros, objetos do passado, testemunhos materiais. Talvez o maior tesouro museológico resida na tentativa de possibilitar às pessoas a construção de uma tradição e um vínculo com o passado. Mas será que os museus são, ao mesmo tempo, herdeiros de memória e de poder? Existe alguma relação entre memória e poder? A origem do termo museu vem da Grécia, em uma clara referência ao templo das musas (museión). As musas, por sua vez, foram geradas a partir da união mítica celebrada entre Zeus, que é identificado com o poder e Mnemósine, que é identificada com a memória. Com essa referência mítica quero acentuar que os museus podem se constituir em espaços meramente celebrativos da memória do poder ou, contrariamente, voltar-se criticamente para um trabalho de reelaboração da memória do passado. Em outras palavras, a celebração acrítica do passado representa o culto à nostalgia, aos acervos de valor meramente mercadológico e a figuras gloriosas. Nesse caso, o que importa é celebrar o poder ou o domínio de um grupo, o que faz com que os acervos e coleções sejam personalistas, tratadas como se representasse a totalidade social. Nessa perspectiva o conflito é banido e a complexidade da sociedade é tratada a partir de esquemas simplistas. Essa concepção museal é fruto das relações entre a institucionalização da memória e as classes privilegiadas. Os museus não são blocos homogêneos. Dentro deles coexistem elementos vivos e mortos, aspectos materiais e imateriais. Vale dizer que são vários os museus que trabalham no sentido da mudança, buscando voltar-se para o trabalho de reconstrução crítica da memória. O que os diferencia é justamente o fato de colocar o poder a serviço do bem-estar social, do entendimento da memória como ferramenta de intervenção social. Entender os museus nessa perspectiva significa compreendê-los como espaços capazes de servir ao desenvolvimento social. (*) É diretora do Museu Théo Brandão

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