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Intelig�ncia e cultura

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| Gilberto de Macedo * Desde o nascimento, estruturada pela cultura da sociedade a que pertence, com o desenvolvimento pessoal no curso da idade, a inteligência chega à superação daquela, através de sua capacidade criativa. É quando o homem adquire sua independência intelectual face às contingências sociais que o envolvem. Independência estabelecida na mente, em pensamentos e atos. É da grandeza da natureza humana face à realidade do mundo. Assim, a maneira de realização da inteligência, ou seja, o trabalho intelectual, dá ao Homem a sua real maneira de ser, a peculiaridade pessoal, nas atitudes e comportamentos. Como diz Kafka: ?O trabalho intelectual arranca o Homem à sociedade humana: o trabalho manual, pelo contrário, o conduz aos homens.? É que nessa atividade da inteligência, o indivíduo realiza-se com plena autonomia, na solidão criativa. Isso, posto que, sobre a cultura básica adquirida no convívio diário na sociedade, a inteligência é capaz de criar a cultura individualizada, peculiar da personalidade. Aí está a realização da verdadeira liberdade humana situada na intimidade pessoal. Liberdade que conduz à independência intelectual. Passa-se, desse modo, da cultura básica-comum à cultura pessoal seletiva, resultante do esforço individual, de cada um, no processo de aprendizagem formal. Trata-se aí da cultura erudita, resultante de exercícios da inteligência, logo no âmbito escolar e, a seguir, interminavelmente, por meio de leituras selecionadas, bem definidas na Teoria do Conhecimento. Leituras que não dependem da quantidade, mas, ao contrário, do seu conteúdo qualitativo. Sob critério quantitativo, a leitura em excesso, por sua impropriedade e confusão, conduz à obliteração da inteligência, impedindo sua criatividade. A seletividade, portanto, é fundamental. A inteligência desenvolvida com especificidade leva à cultura avançada do progresso intelectual à luz dos conhecimentos atuais, assim distinguindo-se o homem erudito do homem ignorante. Erudito que é mais do que meramente informado, porém dotado de consciência lúcida e significativa a respeito da realidade. Erudição, advirta-se que não quer dizer sabedoria, ou genialidade, senão, limitada e especificamente, apreensão de conhecimentos formais. Assim, o homem revela criatividade que diz de sua grandeza distintiva no reino das espécies. Possibilitada pela inteligência é a cultura do indivíduo sobreposta a cultura da sociedade. Aculturação, intelectualização e erudição são as três fases do intelectualismo, que definem a característica humana da sociedade. É da convivência da inteligência individual com a cultura social. (*) É médico.

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