loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A �tica na comunica��o

Ouvir
Compartilhar

Mário Ernesto Humberg * A mídia internacional e algumas áreas científicas vêm debatendo a questão ética envolvida no uso de ghostwriters (pessoas que escrevem em nome de outras), no processo de comunicação, a partir da divulgação de um caso real ocorrido nos Estados Unidos, envolvendo uma empresa farmacêutica, sua assessoria de comunicação, uma pesquisadora científica e o Jornal of General Internal Medicine (JGIM). O caso começou com a solicitação da assessoria para que uma pesquisadora médica assinasse um estudo de sua especialidade, de interesse da indústria farmacêutica, para publicação no JGIM. Ela se recusou e a assessoria conseguiu outro cientista para assumir a autoria, mas, por coincidência, o artigo foi parar nas mãos da primeira pesquisadora, que é membro do Comitê da Avaliação de artigos do JGIM. O resultado é que em vez de o estudo ser publicado, saiu um artigo da pesquisadora relatando o caso e criticando essa forma de agir dos laboratórios farmacêuticos. O debate ético está focado em saber se pode ser considerado legítimo assinar um artigo do qual não se foi o autor, e particularmente um texto científico. Escrever artigos, palestras, discursos em nome de outros é uma atividade muito comum, conhecida como ghostwriting e existem pessoas (ghostwriter) para as quais esse é um trabalho regular. A dúvida é se devem ser avaliados da mesma forma textos encomendados a terceiros e aqueles já preparados, para os quais se busca um nome de prestígio que assuma a autoria. No primeiro caso, todas as assessorias de comunicação, bem como escritores, jornalistas e outros profissionais prepararam artigos, palestras, discursos e até livros para seus clientes, sejam eles dirigentes de empresas, políticos, governantes etc. Ao longo de sua vida profissional o autor deste artigo já preparou mais de 300 textos assinados por outras pessoas e publicados nos mais diversos veículos, além de discursos e palestras. O trabalho de ghostwriter é uma atividade profissional como outra e exige cultura geral, um bom conhecimento de técnicas de redação e tempo para elaborar o texto, o que nem todos os interessados têm. Portanto, no entender do autor do presente artigo, a atividade de ghostwriter é não só legítima como necessária na sociedade moderna para assessorar pessoas que precisam manifestar seus pontos de vista e não têm tempo ou habilidade na redação para fazê-lo sozinhas. Mas não deve ser confundida com a tentativa de buscar pesquisadores ou professores de reconhecida credibilidade para assinar estudos ou teses científicas das quais eles não foram autores. (*) É conferencista, consultor de ética empresarial e membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.

Relacionadas