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Opinião

Agressividade

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Milton Hênio * É impressionante como tem se tornado uma rotina em nossa vida, na vida do brasileiro, os atos de agressividade contra o ser humano. Tem sido preocupante. Diariamente a televisão nos mostra atos de crueldade: o crime, o assalto, o roubo, o seqüestro, o estupro, a maldade, o terrorismo e atos de vandalismo. Enquadram-se todos esses atos como patologias da alma, altamente lesivas para os seres humanos. Pela sua generalidade, causando dor, sofrimento físico e moral a quem é agredido, marca para sempre as vítimas desses agressores. Maceió, uma cidade outrora tão pacata, já aponta índices alarmantes de assaltos e seqüestros relâmpago em sua população. Três amigos passaram por esse dissabor no bairro de Ponta Verde há poucos dias. E como solucionar tão grave problema? É complicado. O que atrapalha muito o Brasil é o excesso de liberdade em todas as áreas; as leis não são cumpridas, todo mundo é dono da verdade, cada um procura tirar proveito do que pode e do que não pode e os índices de desencontros sociais e de concentração de renda são cada vez maiores. O volume de analfabetos é gritante, principalmente no Nordeste, o que impede a nossa caminhada. Se não há investimentos no homem o País não terá progresso. Mas, o que tem inquietado ultimamente a nós brasileiros, é essa guerra urbana - silenciosa e violenta - e que não poupa ninguém. Nossos inimigos estão em nossa volta e não os conhecemos - são assaltantes, seqüestradores, drogados, traficantes e toda sorte de lixo humano. De fato, somos um País violento. E não é de agora. Não dá para saber se o Brasil hoje é mais violento do que no passado. O que podemos afirmar é que no passado a questão da violência não era pública e, sim privada. Ela ficava restrita ao âmbito das pessoas envolvidas. O escritor Sérgio Buarque de Holanda em seu livro Raízes do Brasil, narra uma série de fatos dessa natureza. O maior desafio da democracia atual é que ela não conseguiu garantir o direito à vida para todos de modo idêntico, o que é extremamente intrigante. A impunidade constante levou o povo brasileiro a ficar descrente da polícia e da Justiça. O ideal seria que brancos, negros, pobres, ricos, homens, mulheres, diplomados ou não, tivessem a punição devida por delitos praticados. A maioria das pessoas luta por objetivos que não levam à felicidade. Todo trabalho só é benéfico quando traz felicidade interior, sem agressividade e sem violência. Sejam quais forem as alternativas da vida, contemplemos cada dia que surge com o olhar da esperança e tentemos encontrar um sonho de vida ideal. (*) É médico ([email protected]).

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