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As pequenas coisas

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Dom Fernando Iório * Não venho, de maneira alguma, falar sobre coisas extraordinárias que, não poucas vezes, pensamos pudessem fazer-nos felizes. Não. Pessoas felizes são quantas se permitem ser felizes, vivendo o que acontece de comum, na trajetória de cada dia. Sabemos que a maior parte dos dias, que se vão sucedendo, vai realizar-se normalmente. Por conseguinte, usufruir aquilo que, sempre, nos está à disposição é sinal de sabedoria. São as diminutas coisas e as pequenas atitudes que, somadas, vão construindo o tesouro da felicidade. Mostra-nos a experiência que nem as pessoas felizes desenvolvem um sucesso após o outro e, muito menos, as infelizes vivem um fracasso após o outro. A diferença está em que a pessoa infeliz, porque carrega o peso do pessimismo, vê surgir o céu azul e, de logo, pensa: mais tarde, vai chover, enquanto a pessoa feliz, porque caminha no otimismo, vê o céu nublado, mas sonha que, mais tarde, tudo estará azul. Cada vez mais estou convencido de que a vida feliz não se constrói com momentos extraordinários, senão com os fatos comuns e normais que acontecem ao longo do roteiro da existência. Não deixa de ser desafortunado quem ignora a felicidade nas mínimas coisas. Descobrir essa realidade é tornar-se, imediatamente, feliz. Estava eu, um dia, na casa de um amigo para um almoço. Os pratos eram deliciosos. A dona da casa preparara tudo com o carinho do tempero. O marido, de logo, saiu-se com esta: - Por que é que você só faz comida salgada? Não sei se o bispo já notou. A carne está além do desejado. De logo, a esposa olhou para mim e disse: - Está vendo, senhor bispo, tudo o que eu faço de normal, nesta casa, com todo amor, meu marido acha ruim. Eu desejaria ser feliz nessas mínimas coisas de cada dia, recebendo alguns elogios. É quando o marido levanta a voz e diz: - Sr. Bispo, como esta mulher seria feliz se soubesse que um dia, se ela estivesse morrendo nas águas do mar, eu mergulharia para salvá-la. Eu, então, entre um riso e um sorriso comecei a dizer-lhe: - Meu amigo, faça a felicidade de sua esposa nas mínimas coisas de cada dia, porque se você for esperar para salvá-la, quando estiver ela se afogando no mar, você nunca vai ter ocasião para provar seu grande amor por ela, sabe por que? Porque ela mora no interior e nunca teve ocasião de tomar banho de mar, logo, para morrer afogada é uma coisa extraordinária que somente, extraordinariamente, poderá acontecer. Mostre-lhe seu amor nas coisas ordinárias de cada dia. (*) É bispo da cidade de Palmeira dos Índios.

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