Opinião
Cani�o e sambur�
Ontem, o Banco do Nordeste (BN) anunciou sua decisão em ampliar o acesso ao crédito destinado ao segmento da pesca e da aqüicultura em Alagoas. Frutos do mar, das lagoas e dos rios sempre foram um destaque em Alagoas ? os holandeses, nos idos do século XVII, quando tomaram conta desta região, já atentaram para isso e alocaram três tainhas como brasão local; mais tarde, esses mesmos três peixes foram reincorporados ao brasão e à bandeira do Estado. Os saudosistas vertem lágrimas sentidas e sinceras quando recordam a piscosidade perdida das lagoas Mundaú e Manguaba ? donde fartas quantidades de bagres, carapebas e outros peixes mui apreciados eram coletados sem esforço, diariamente, além do clássico sururu que infestava o leito lacustre ? sem falar nos siris, taiobas, unhas-de-velho, caranguejos. E o mar das Alagoas? Ah, nem é bom lembrar dos tempos onde pesqueiros de tipo variado (de jangadas a saveiros) nunca deixavam de aportar lotados de iguarias marinhas... Mas, enxugando as lágrimas, é bom lançar um olhar crítico a esse tempo farto e entender que a pesca predatória causou (e tem causado) praticamente tanto mal quanto a poluição. Igualmente, é bom avaliar que a falta de uma acurada visão profissional e empresarial em muito atrasou a pesca em Alagoas e que mesmo com dinheiro disponível, se não forem cambiadas certas concepções ultrapassadas, a pesca e a aqüicultura continuarão sendo temas de lamentação e saudades. Mais uma chance para Alagoas fazer desenvolver esse nosso potencial (descoberto e mal explorado há séculos). Esta oportunidade será melhor aproveitada se, além do dinheiro, forem disponibilizados cursos especiais de atualização e projetos contemporâneos para atuação neste segmentos ? e se resultados ferem efetivamente cobrados, e acompanhados tecnicamente por quem de direito.