Opinião
Marcos Geraldo: um amigo
LIVIO ANDRADE WANDERLEY * A iniciativa de render uma singela homenagem a Marcos Geraldo é pouco quando em um mundo de raridade cidadã, espírito ético e de dedicação ao labor e à família, um ser humano com essas qualidades ultrapassa o umbral do mistério da existência que envolve a contradição dialética da vida e morte em plena jovialidade madura de seus cinqüenta e poucos anos. Expor lembranças inevitavelmente toma uma maior parte dessas linhas e envolve um pouco do relato de minha vida e um depoimento em relação a meus contatos como o amigo Marcos. As lembranças que me vêem a mente se iniciam nos idos da década de 60 no então Ginásio Anchieta do Instituto Mota Trigueiro. Foi nessa fase de minha formação educacional que conheci Marcos Geraldo. Sempre mantivemos contato e lembro das vezes em que ia conversar com ele na Helvética, estabelecimento de propriedade de seu pai, em que trabalhavam juntos. Lembro também dos bons papos no Bar do Chopp, estabelecimento de seu tio em que seu primo, Cláudio, ajudava. Dos bailes do Iate Clube e tantas outras coisas. Na década de 80, registra-se a fase em que Marcos Geraldo tornou-se uma pessoa importante no Conselho Regional dos Economistas (Corecon), sendo presidente e conselheiro por vários períodos. Participamos de vários congressos, a exemplo dos de Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Lamentavelmente, um ano atrás tomei conhecimento do acontecido com sua saúde que, de certa forma, acompanhei a distância o desenrolar. Marcos lutou bravamente tentando debelar o infortúnio de uma doença fatal, sendo testemunha do ardor em que ele fazia referência ao apoio e dedicação de sua esposa, Zélia. Escrever sobre saudade, que aparentemente trata de um sentimento com conotação de melancolia, pode ser revertido para um outro plano que represente algo mais reconfortante. Dessa forma, devemos sempre encarar e internalizar a saudade como positiva, pois o mistério da vida pode ser, em parte, desmistificado por meio de uma única e imutável verdade, que é o ciclo dos três Vs ? vem, vive e vai. É verdadeiro que se tem a dificuldade de aceitar a despedida de um ente querido como um fim absoluto, ficando sempre a esperança e a crença de continuidade e de um até logo. Mas uma coisa podemos pensar no sentido de que as pessoas em seu lado material se vão, mas em um plano superior, seja espírito para uns ou energia para outros, o importante é que se a vida individual se vai a vida universal é eterna. Para encerrar essas breves linhas que rendo como homenagem a Marcos Geraldo, desejo que ele esteja em paz e que não só para mim, como para toda a sua família, esposa e seus dois filhos, e demais familiares, bem como os muitos amigos que ele fez, o sentimento de que ?a despedida não é o fim de uma amizade, mas o início de uma saudade?. (*) É professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA.