Opinião
Integralidade e sa�de da mulher
Jovânia Marques de Oliveira e Silva * A atenção à saúde da mulher que constitui o modelo assistencial capaz de atender às necessidades globais da saúde feminina é aquela que deve incorporar, além da assistência pré-natal, parto e puerpério, a detecção precoce de neoplasias de mama e colo de útero, a detecção, tratamento e prevenção das DSTs, a contracepção e a atenção à esterilidade, a assistência à adolescente e à mulher idosa, a prevenção da gravidez indesejada, a educação e todas as ações dirigidas à mulher e ao cuidado à saúde da mulher trabalhadora e às patologias clínicas mais comuns. O princípio da integralidade, dentre outros, é um dos mais importantes preconizados pelo Sistema Único de Saúde. Conforme o princípio de integralidade do Sistema Único de Saúde, além da atenção à população no conjunto de suas necessidades, propõe a organização dos serviços de saúde de modo a cumprir a proposta de ação integral, tendo como pressuposto assegurar à população e no caso, às mulheres, assistência à saúde, do nível primário ao terciário. Todavia, a realidade de nossos serviços de saúde não corresponde de forma operacional, do ponto de vista estrutural da organização e de recursos humanos, de modo a permitir acesso e assistência integral à população feminina. Ao falar em recursos humanos, refiro-me especificamente ao profissional em seu modo de ser, considerando a bioética no modo de atender a população de uma maneira geral e, em especial, a mulher nas fases da adolescência, reprodutiva e senescência, considerando a integralidade em sua saúde. A proposta de organização de um serviço de saúde pautado no princípio da integralidade, dispõe de uma hierarquização, formalizando o sistema de referência e contra-referência e a partir desta hierarquia a garantia de recursos. Considerando ainda o princípio da integralidade, o momento de que a mulher dispõe no serviço de saúde deve ser oportunizado para atender a suas necessidades, desde esclarecimentos até o diagnóstico precoce, reduzindo os riscos de morbimortalidade. A assistência integral à saúde da mulher contempla a questão de gênero. Na perspectiva de gênero, a assistência integral constitui um processo para reconstrução da identidade e construção da prática da cidadania. Observando-se algumas exceções, percebe-se que não há preocupação profissional em atender às reais necessidades de saúde da mulher, visto que a mesma continua a ser vista não como um corpo, mas como órgão reprodutivo e meio para selar o compromisso de cobertura estatística, portanto sem considerar a mulher na sua integralidade. (*) É professora.