Opinião
A pr�xima etapa
Eduardo Bomfim * A política é uma ciência, e arte também, extremamente complexa. Porque exige domínio acurado da realidade onde se atua. Porém, não se pode confundi-la com a vidência das cartomantes. Primeiro, é um campo de atuação onde o seu exercício se compõe na ação coletiva. Exatamente por isso, afirma o velho filósofo que os homens (e as mulheres) são quem a fazem. Mas jamais, unicamente, de acordo com os seus desejos. A ação humana esbarra sempre em determinada realidade concreta e é exatamente sobre ela que se define o plano de ação, a tática ou a estratégia. Isto significa que é um ato coletivo movido pelas contradições, os interesses individuais e de grupos. Além disso, existe o fator imponderável, o que não estava previsto. Grandes ou pequenas alterações impossíveis de serem detectadas e que podem desencadear mudanças desproporcionais. Isto não implica que não existam planos ou análises sobre possíveis variáveis perfeitamente passíveis de serem previstas. Há, ainda, os interesses individuais, os quais, dependendo da força política ou do poder econômico do agente político, poderá modificar toda a previsão dos acontecimentos que estavam desenhados. No entanto, há outros ingredientes nestes movimentos. A posição ideológica, por exemplo, que implica em uma postura a priori sobre os rumos que deve tomar a sociedade. A defesa de um projeto político que contemple amplos segmentos da sociedade. Já outros, conservadores, representam a manutenção do sistema estabelecido. Porém, nada funciona como em um jogo de futebol, um time contra outro. Pelo menos antes das batalhas iniciadas. Nem sempre, na cultura política brasileira, os arcos de alianças se reproduzem da mesma forma, nas realidades regionais. Sinceramente, eu não definiria isto como sinal de atraso no nosso País, em relação às outras circunstâncias do formato vertical de determinadas nações na Europa, ou ao bipartidarismo, concreto, nos EUA. Ao contrário, considero sinal de uma característica própria da nossa formação, mais democrática, e nenhuma referência de atraso ou pobreza do sistema político nacional. A nossa tradição e da maioria dos países em desenvolvimento é da formação de amplas frentes ou coalizão. Alagoas não foge a esta regra. Mas é preciso afirmar que uma frente de esquerda não é uma coalizão. Muito menos sem a sua presença. O que se sabe é que os setores neoliberais e conservadores perderam as últimas eleições presidenciais e várias estaduais. Uma outra derrota significa uma enorme perda de influência nos destinos do País. Esta é a batalha em curso. (*) É secretário do Ministério da Coordenação Política.