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Lula n�o est� preocupado com a CPI?

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Bernardo Joffily * Enquanto o governo ainda apostava na reversão da CPI dos Correios, um jornalista perguntou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade dessa comissão ser instituída. Lula, apanhado de sopetão num lance de escada do Palácio do Planalto, não teve dúvidas. Abriu seu melhor sorriso e contra-indagou: ?Olha para a minha cara para ver se estou preocupado com isso?. Se não estava preocupado, devia. A CPI que a oposição conseguiu viabilizar é o mais recente episódio de uma seqüência que já está custando caro ao governo. É verdade que nem toda responsabilidade recai sobre Lula. Há também aqueles malditos óculos cor-de-rosa que ? estou convencido ? se encontram no Planalto, e antes estavam no Catete, e antes no Itamaraty, e desde que a República é República passam de presidente em presidente, fazendo com que todos passem a ver as coisas da mesma cor alegre e tranqüilizadora. Entra governo, sai governo, eleito ou imposto, de direita, esquerda ou qualquer inclinação intermediária, e o diabo dos óculos sempre deixam no governante de turno esse otimismo a toda prova que não faz jus a sua inteligência. Pode-se dizer que o Brasil não é o único país em que a sede de governo está equipada com tal apetrecho. Com certeza. Mas aqui parece que os óculos são de um rosado mais vibrante, e grudam mais forte nas faces presidenciais. Severino Cavalcanti elegeu-se presidente da Câmara dos Deputados? Que bom, foi uma vitória do governo, elegemos um aliado, homem da base. O legislativo está travado, a base aliada em revolta, a governabilidade periclitante, a oposição assanhada? Tudo bem, dialogando nos entendemos, basta que todos coloquem em primeiro lugar o bem do Brasil, para votar, por exemplo, a reforma tributária. Foi preciso recuar às pressas com a MP 232, para não vê-la trucidada na Câmara? É o processo democrático, em sua marcha aperfeiçoadora. E agora, basta olhar para a cara presidencial para ver que ele não está preocupado com a CPI. Entretanto, março de 2005, o 27º mês do governo Lula, marcou uma inflexão. Caiu a taxa de governabilidade. A reforma ministerial, originalmente concebida para reforçar o caráter de coalizão do governo, à luz das urnas de outubro passado, terminou truncada. Dos partidos da base aliada, nenhum está hoje mais entusiasmado com o governo que três meses atrás, inclusive o PT, para não falar dos outros. Um ministro vem a público para pedir a cabeça de outro, um terceiro está sob investigação no Supremo devido a denúncias de corrupção, o mesmo ocorre com o presidente do Banco Central, agora com status ministerial. Aí está a CPI. Não é o caso de se preocupar? (*) É jornalista.

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