Opinião
Caminho acertado
Noticiada ontem, a apreensão de 43 quilos de cocaína demonstra o caminho acertado percorrido pela Polícia Federal no combate ao tráfico de entorpecentes. Sem a localização do movimento de maior porte e o desmantelamento de operações de vulto, pouco se poderá avançar na guerra contra o tráfico. Prisões de personagens rotulados como ?arraia miúda? não são significativas para a guerra contra os entorpecentes. Pouco representa a saída dessas peças das engrenagens do crime organizado. Os chamados ?aviõezinhos?, mais das vezes, são vítimas que entraram para as fileiras da bandidagem por falta de opção e/ou por terem sidos envolvidas pelo vício ainda muito cedo. São elos facilmente substituíveis na corrente criminosa. Os elos mais sensíveis para o encadeamento das cadeias da traficância são os que participam das operações de maior vulto, pois são responsáveis pelo abastecimento, em grosso, dos centros de distribuição da droga. Uma vez quebradas essas correias, a máquina tenebrosa sofre pesado impacto e todo o movimento pode ficar prejudicado. Verdade é que 43 kg não é uma quantidade gigantesca de droga, mas é um volume considerável capaz de indicar rotas e personagens de primeiro time no tráfico brasileiro. Ao desbaratar essa operação, a Polícia Federal dá uma lição da importância do serviço de inteligência, da eficiência na verificação de fontes de informação e na capacidade de realizar uma ação com 100% de resultados positivos. Puxar o fio desse novelo é a segunda parte do trabalho, identificando o resto da quadrilha. É de ações como essa que o Brasil precisa. Multiplicar a proficiência policial com base num azeitado serviço de inteligência e na expertise de destacamentos de agentes especialistas neste mister: transformar a informação em ação concreta.