Opinião
Realidade revoltante
Representantes das comunidades indígenas de várias etnias estiveram em Brasília, por ocasião das comemorações do Dia Nacional do Índio, no mês passado, pressionando o governo e o Congresso Nacional, com protestos e reivindicações, por melhores condições de sobrevivência nas aldeias em várias regiões do País. Estava recente a constatação de mortes de crianças dessa parcela da população (mais de vinte) só no município de Dourados (MS), e lembraram a existência de elevada mortalidade não apenas infantil, mas de índios adultos devido à situação no tocante à saúde pública desse povo. Sem esquecer outras situações, que já atingiam seus ancestrais. Algumas dezenas de índios de vários municípios alagoanos, nessa mesma ocasião, vieram à capital do Estado não somente para promover as tradições culturais dos primeiros habitantes do País, mas para lembrar aos chamados órgãos competentes a demora no atendimento de suas maiores e mais antigas necessidades. Os dados que divulgamos, domingo último, de um estudo desenvolvido por um grupo de especialistas em diversas áreas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) sobre a vergonhosa realidade vivida pelos xucurus-kariris, na Fazenda Canto, em Palmeira dos Índios, comprovam a falta de prioridades para essa gente e as violações aos seus direitos. Bastam os relatos que apontam para a morte precoce de boa parte dos índios de Palmeira, por doenças, e a incidência de casos de enfermidades decorrentes das péssimas condições sanitárias, que atingem crianças, jovens e adultos, para que providências urgentes e permanentes sejam adotadas. As atenções que devem ser direcionadas aos índios de Palmeira são comprovamente necessárias também nos demais aldeamentos deste e de outros estados brasileiros onde são preservadas e alimentadas as crônicas mazelas sociais.