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Opinião

A cura que vem da natureza

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MÁRIO SANTORO JR. * A sabedoria popular tem uma coleção de receitas para a ?cura? de diversos males. São ensinamentos existentes há milhares de anos e que ainda hoje fazem parte da nossa cultura. Quem não tomou um chá de boldo para curar uma azia? E as mulheres, nunca recorreram aos resultados da camomila para fugirem da tensão pré-menstrual, a famosa TPM? A evolução científica, alavancada pelo término da Segunda Guerra Mundial, permitiu ao homem conhecer os mecanismos de atuação de substâncias utilizadas anteriormente de forma experimental. Desde então, as plantas passaram a ter seus extratos estudados dando origem à Fitoterapia. Assim, foram descobertos tratamentos naturais para doenças do coração, do fígado e outros problemas. A natureza passou, então, a ser pesquisada para promoção de saúde. A criação de métodos terapêuticos foi um grande incentivo para a regulamentação de normas específicas que tornaram possível o desenvolvimento de novos medicamentos. No Brasil, essas diretrizes, conhecidas como ?Boas Práticas Clínicas?, são de responsabilidade do Conselho Nacional de Saúde. A instituição garante a qualidade dos medicamentos, acompanhando todas as fases de sua elaboração. O processo de desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos começa na combinação de substâncias em grandes reatores. A partir daí, o composto é purificado e testado com o objetivo de avaliar seu potencial terapêutico. Reproduz-se assim, em laboratório, o que a natureza vem fazendo há bilhões de anos. Como todo medicamento, os fitoterápicos exigem a realização constante de pesquisas clínicas. Para tal, a colaboração das universidades e da indústria farmacêutica é fundamental. Recentemente, estudo realizado pela Universidade de Bonn (Alemanha) identificou pela primeira vez no mundo o mecanismo de ação de um fitoterápico. Conhecido como o Hedera helix, a substância atua como expectorante, dilatando as vias respiratórias e proporcionando alivio aos pacientes. Considerando-se a formidável biodiversidade existente no Brasil, não é utópico pensarmos que em um futuro próximo poderemos ser o maior exportador de fitoterápicos do mundo. Isso porque esse mercado vem crescendo ao longo dos anos. Dados recentes da Sociedade Brasileira de Fitomedicina (Sobrafito) revelam que o mercado mundial atingiu mais de U$ 20 bilhões com as vendas de fitomedicamentos. Definitivamente medicamentos bem estudados fazem parte do arsenal terapêutico da medicina moderna. O homem cada vez mais estará se voltando para a natureza. (*) É PEDIATRA, MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE PEDIATRIA E DOUTOR EM MEDICINA PELA USP.

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