Opinião
A pol�tica em Alagoas
Eduardo Bomfim * Um fato incontestável, pelo menos para aqueles que desejam observar o Estado de Alagoas imparcialmente, é que superamos, embora permaneçam resquícios, a velha política do coronelismo. Da vida pública sob o tacão do terror e do mando de grupos. Respeitam-se, no essencial, as obrigações e os limites do aparelho de Estado, e o governante atua nos parâmetros democráticos da realidade concreta atual. Para as novas gerações de alagoanos, impossibilitados de comparações com outras épocas da nossa história, talvez seja difícil a confrontação com os tempos em que prevalecia a pistolagem como forma de tornar a autoridade do governo incontestável, terrível, absoluta. Líderes sindicais eram trucidados, jornalistas, vez em quando, espancados ou mortos, por divergirem desta ou daquela decisão governamental. Deputados da oposição, barbaramente assassinados no centro de Maceió, nas escadarias da Assembléia Legislativa, na Rua do Comércio ou nas cidades do interior. Governadores de renovação, quando eleitos, sofriam vexames ou todos os tipos de ameaças até serem empossados. O poder era absoluto e como diz o ditado popular, ?obedecia quem tinha juízo?. Pode-se afirmar que esta era a cultura predominante. Os intelectuais em geral, ameaçados, sem incentivo, quando não brutalizados, buscavam o Rio de Janeiro como refúgio e liberdade de produção. Não que a ?cidade maravilhosa? fosse tão libertária assim. O que aqui acontecia, refletia em escala mais grave, as condicionantes da República. A justiça intimidada era impotente. A revolução de 1930 que alterou, parcialmente, em favor da burguesia urbana a realidade nacional, iniciou o processo de mudanças qualitativas. O poder central necessitava restringir o mando estadual dos coronéis, autênticos herdeiros das capitanias. O que não se deu de forma imediata, porque o velho, derrotado, mantinha o poder e o novo não possuía os instrumentos de alteração. Surgiram, ainda, violentos confrontos. Até porque a face conservadora dessa revolução expressou-se no Nordeste. Mudanças significativas surgiram durante os anos de chumbo do regime militar, graças à formação de uma ampla coalizão pela redemocratização do país. Emergiram no panorama setores médios, modernos e de esquerda. Uma nova realidade no cenário alagoano. Persistem em Alagoas problemas de origem estrutural, concentração de renda, desigualdades sociais e a premência em superá-los. O caminho é a condução política e a elaboração de estratégias para o desenvolvimento, por intermédio da democracia representativa. (*) É advogado.