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Opinião

Amadurecimento ou envelhecimento

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Marcos Davi Melo * Afinal o que está acontecendo com o País? É uma erupção de corrupção por todos os lugares? Até os que entraram no serviço público via os até então relativamente insuspeitos concursos públicos, estão agora sob altíssima suspeita? E como se encontra Alagoas? Se a pergunta se restringir ao item saúde, o IBGE apresentou há poucos dias o que está acontecendo com o Brasil, e as doenças que predominam são as crônicas: diabetes, hipertensão, câncer, problemas de coluna e reumatismo. São 53 milhões de brasileiros acometidos - praticamente 30% da população - dos quais 22,1 milhões são homens e 30,5 milhões são mulheres. O estudo do IBGE mostra uma mudança significativa no perfil do brasileiro atual no que se refere à saúde pública. Neste campo as doenças que predominam são as crônicas, como era de se esperar em um país cuja parcela da população que envelhece se torna a cada dia maior. A pesquisa mostrou que mais de um milhão de brasileiros deixaram de procurar atendimento médico por falta de dinheiro e entre os que buscaram atendimento e não conseguiram, os principais motivos indicados foram: indisponibilidade de senha ou de vagas (48,9%) e falta de médicos (25,5%). Entre os 5,01 milhões de pessoas que sentiram necessidade, mas não procuraram os serviços de Saúde, 23,8% não o fizeram por falta de dinheiro (1,19 milhão); 12,7% pela distância ou dificuldade de acesso e 12,7% por incompatibilidade de horário. Neste aspecto é importante registrar que 43,2 milhões de pessoas (24,6%) têm planos de saúde, o que dá uma média de um em cada quatro brasileiros com este tipo de cobertura. Aqui mais uma grande defasagem em detrimento de Alagoas, onde apenas 8% da população têm planos de saúde privados, ou apenas um entre cada 12 alagoanos! Estes números encontram guarida no ainda mais recente estudo do IPEA que apresenta Alagoas como o Estado que detém a maior concentração de pobres do Brasil: 62,3% em um País que tem a segunda pior concentração de renda do mundo, acima apenas de Serra Leoa. Este estudo do IBGE mostra também que Alagoas é o segundo pior Estado da federação em cobertura de mamografias, um exame fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de mama, o que mais acomete as mulheres. Apenas 38% das mulheres que precisavam fizeram este exame. Fica ainda mais dura de entender esta situação de falta de cobertura deste exame em Alagoas quando se sabe que o Ministério da Saúde mandou há alguns poucos anos nada menos que dez mamógrafos para a rede pública de saúde local e a maioria deles nunca fizeram uma única mamografia! (*)É médico.

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