Opinião
Santo Ant�nio casamenteiro
MILTON HÊNIO * Amanhã é o dia consagrado ao prestigiadíssimo Santo Antônio, protetor e grande colaborador, segundo a tradição religiosa, das jovens apaixonadas que pretendem realizar o grande sonho de suas vidas, que é um bom casamento. Ele nasceu em Lisboa, estudou em Coimbra e morreu em Arsella, perto de Pádua, na Itália. Mas, pelo elevado número de devotos que possui em nossa querida terra alagoana, freqüentadores do Convento dos Capuchinhos e outras igrejas, a impressão que temos é que ele é alagoano. ?Meu amado padroeiro/ Tu que sempre perdoas / releva-me algum excesso na conclusão destas loas. / Santo Antônio é brasileiro e nasceu nas Alagoas?. Na casa dos meus avós era tradição a trezena de Santo Antônio. Continuou com todo entusiasmo na casa de meus pais. Minha casa era uma festa nos anos 50 e 60. A juventude enchia seus espaços com alegria imensa, lá no Parque Gonçalves Lêdo. Tudo era alegria, onde se misturavam a fogueira, os fogos, as ?sortes? que eram lidas e as comidas típicas da época. Ficamos apenas hoje a recordar aqueles momentos inesquecíveis vividos. Hoje é o Dia dos Namorados. Olhares, beijos, abraços, juras de amor, promessas, sonhos e projetos. Faz parte da vida. Conheci minha querida esposa Myrza há 45 anos numa festa de Santo Antônio. Coincidentemente era o dia do seu aniversário. O tempo passou. Depois de todos esses anos vejo que a verdadeira amizade é solidificada pela solidariedade, pela compreensão, pela paciência e companheirismo. Esse poder sobre o amor não só entre jovens como também em adultos, decorre de uma forma muito peculiar, de uma corrente misteriosa que atrai um e outro e que deve ser mantida e cultivada. Como namorados é necessário ?construir? o amor, como casados é necessário conservá-lo?. Ao falar nesse assunto lembrei de um conto milenar: Havia uma pássaro muito especial no Japão que se chamava Hyoku. Os antigos guardavam sua historia com uma verdadeira lição para os homens de qualquer época. Segundo a lenda, o Hyoku era um pássaro que nascia com uma só asa. Assim, desde o instante de seu nascimento, ele buscava encontrar a outra metade para unir-se a ela, completando-se para conseguir sua realização como pássaro: Voar. Enquanto não encontrasse sua outra metade ele não seria efetivamente um pássaro, mas meio. A lenda de Hyoku traz uma profunda lição para nós: um ser só é completo quando é metade de alguém. Pena que ao contrario do Hyoku, muitas pessoas, ao invés de buscar a metade que as realize, acabam na ilusão do poder, do egoísmo, do egocentrismo. (*) É médico pediatra ([email protected])