Opinião
Simpatia pelos outros
Dom Fernando Iório * Somos seres sociais, com necessidade de conviver com os semelhantes. Para sermos, psicologicamente, sãos necessitamos de nos abrir ao mundo e aos outros. Em uma sociedade de intensa comunicação, como a nossa, isolar-se é prejudicial. A fuga do convívio social por causa de conflitos com as pessoas pode suscitar neurose. Psiquiatras, em barda, vêm procurando curar doentes pela reintegração dos mesmos na sociedade. Adler, com toda a sua experiência, declara: ?Todos os meus esforços tendem a aumentar o interesse social do doente?. Para exercitar o conviver, temos de ser compreensivos uns com os outros, aceitando os diferentes como são, sabendo respeitar as qualidades pessoais de cada um, bem assim seus defeitos. Mister se faz apreciemos as qualidades e as virtudes que cintilam nos outros. Emerson confessava: ?Cada homem que encontro no caminho sempre me é superior em alguma coisa que me faz com ele aprender?. Uma qualidade que deve possuir uma pessoa sensata é saber elogiar. Até que sabemos admirar o amigo, entretanto vivemos lhe negando o elogio sincero, imaginando tornar-se ele orgulhoso, vaidoso. Dessa maneira, nós nos vamos encaracolando, encurtando os diálogos, reduzindo os relacionamentos, parando de crescer. Quando somos cautelosos em criticar e generosos em elogiar, encorajamos os outros e os cobrimos de confiança. Sejamos comunicativos sorrindo, valorizando os sentimentos dos outros. O caminho seguro para chegarmos ao coração de alguém é o da apreciação, é reconhecer-lhe a importância, é tomar do telefone e ter a coragem de confessar ao outro: Como você é importante para mim!... A nossa apreciação do próximo deve ser algo sincero, distante do adular. Interessemo-nos pelos outros para que sejamos mais humanos. Torna-se necessário: sejamos generosos nos elogios, cautelosos em criticar. Seremos tanto mais humanos e cristãos quanto mais soubermos, sinceramente, elogiar, buscando encorajar, dar confiança e elevar os outros. Os melhores trabalhos que, até hoje, realizei na vida foram fruto da aceitação do diálogo com os outros, nunca usando a retorta da crítica mordaz. Não há como negar: todos sentimos necessidade daquela palavra de apreço, de confiança, de estímulo. Felizmente, encontramos, nos jornais, as crônicas sociais, como generoso espaço para elogios às pessoas, em meio à tanta violência noticiada. É por isso que, procurando elogios às qualidades de nossos conterrâneos, estou a ler, quase diariamente, a página social de minha amiga Maria Cândida daGazeta de Alagoas. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.