Opinião
As c�lulas-tronco
Teomirtes Malta * Li nos jornais que a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou projeto de lei que libera a pesquisa com células-tronco embrionárias. O presidente Bush reagiu em seu discurso bioético, afirmando que essa lei criaria novos incentivos à presente destruição da vida humana em seu princípio. A polêmica continua e os defensores desse projeto esperam que o presidente americano volte atrás quando ele passar no Senado. Aqui no Brasil, o processo parece que transcorreu de uma forma mais fácil. A Câmara dos Deputados aprovou essa pesquisa com células-tronco embrionárias, desde que obtidas em fertilização in-vitro e congeladas em laboratórios há mais de anos. O que se afirma é que as células-tronco são extraídas de embriões humanos com aproximadamente cem células. Elas têm capacidade de gerar células de praticamente todos os órgãos e tecidos do organismo. O potencial de terapias, usando essas células, é enorme, apresentando uma nova área da medicina que pode tratar da degeneração de tecidos com a reposição de células saudáveis. Dessa forma, doenças como o diabetes, mal de Parkinson, Alzheimer, doenças cardíacas, distrofia muscular, vários tipos de câncer que atingem milhões de pessoas, podem vir a ser tratadas. No momento, milhares de pessoas no mundo inteiro com doenças degenerativas estão vivendo com a grande esperança de que essa pesquisa resolva seus problemas. Às vezes fico a pensar em quanta coisa tem surgido nos últimos tempos no campo da ciência. Quem pensaria que a fissão do átomo tão minúsculo, gerasse tanta energia a ponto de a bomba atômica ter destruído duas grandes cidades no Japão, durante a última guerra? Em alguns casos é muito difícil conciliar as descobertas científicas com o pensamento da Igreja. As barreiras entre a religião e a ciência sempre existiram e foram fortes. Lembro-me do filósofo-cientista francês, o padre jesuíta Teilhard de Chardin. Em virtude de suas idéias avançadas com relação à teoria da evolução de Darwin, tentando uni-la à espiritualidade, não foi visto com bons olhos pelo Vaticano. Foi exilado por muitos anos e não pôde publicar seus trabalhos científicos. Ultimamente, tenho me surpreendido a pensar o quanto pode ser difícil para o papa atual permanecer tão conservador diante de toda a modernização que circula no mundo atual! Há uma juventude transformadora que já pensa tão diferente com relação ao uso de camisinhas, casamento de padres, pesquisas de células-tronco, homossexualismo e outras coisas! Quanto ao Papa, esse deve ser o preço a pagar pelo poder que assumiu. (*) É escritora e membro da Academia Alagoana de Letras.