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Opinião

O pr�ncipe

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LUCIANO PIRES* A propaganda e a publicidade dominam a vida na sociedade. Elas criam opinião pública e dirigem o mundo do consumo. Quando quer o Governo falar bem de sua política, estamos diante da propaganda. Para orientar os consumidores, apela-se para a publicidade. ?Não sei se eles têm consciência do que dizem, mas os conhecidos com os bons publicitários afirmam que não estão preocupados em vender produtos, senão em oferecer imagens! E emoções?. Se é o caso, pode a publicidade influenciar a solidariedade, a partilha, a fraternidade, vendendo ?imagens? e ?emoções?. Não há como negar o trabalho da sensibilidade na transmissão do conteúdo desses novos sinais. Encontrava-se solitário cego sentado numa calçada de Paris, servindo-se de um simples boné a seus pés para depósito de dádivas e de um pedaço de madeira, tendo escrito em giz branco: ?Por favor, ajude-me, sou cego?. Desconhecido publicitário, eu por ali passava, parou e divisou pouquíssimas moedas, no boné do cego. Tomou, de logo, o cartaz, virou-o e escreveu outro anúncio, colocando-o aos pés do cego e seguiu seu itinerário. Pela tardinha, retornou o publicitário. Passando em frente ao cego, descobriu que o depósito que recolhia as dádivas estava repleto de notas e moedas. De logo percebeu o cego as pisadas do benfeitor, e,olhe, perguntou se tinha sido ele quem reescrevera o seu cartaz, querendo saber, sobretudo, o que havia corrigido, em sua mensagem. Respondeu o publicitário nada ter escrito que não estivesse de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras. Sorriu e continuou o seu trajeto. O novo cartaz assim dizia: ?Hoje é primavera em Paris, e eu não posso vê-la?. Não quis o publicitário vender coisas, mas suscitar emoções, vender imagens. O importante não é lançar qualquer publicidade, mas conhecer a melhor mensagem capaz de sensibilizar, criar emoções e convencer quem decodifica o anúncio. Espalhado, encontramos em nossas estradas e não em poucos lugares de nossa cidade, um ?outdoor? que ostenta um verbete isolado: ?Orgulhosos? - tendo ao lado a efígie de um renomado político. Um morador de Santana do Ipanema, que vinha em meu carro, olhou para o anúncio que se divisava ao longe e disse: ?Aquele candidato me chama de orgulhoso; pra que eu ler o resto?...? O resto era a metalinguagem, com um belo texto a explicar o motivo do orgulhoso. Ficara, entretanto, prejudicada a mensagem por uma palavra que, mal colocada, chocava, criando um impacto negativo para certo tipo de pessoas. É jornalista (*)

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