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Opinião

Golpismo, o signo da crise pol�tica

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A. SÉRGIO BARROS * A presença do negro no Brasil teve uma enorme influência na formação social e cultural de nosso País. Muito se deve ao seu trabalho na evolução de nossa agricultura e na importância das primeiras indústrias brasileiras, entre outras atividades. Nossa música está impregnada dos seus sentimentos, assim como nossa literatura. Pelo menos um terço da população brasileira tem nas veias um pouco do sangue africano que resultou numa feliz miscigenação, criando o tipo local, moreno, brejeiro, cheio de viço e de graça. Assim como o negro, o índio, também, entrou nessa mistura, sobretudo na região norte. Quando ouço falar em racismo, no Brasil, não consigo entendê-lo. Num País que sempre recebeu de braços abertos, em seu seio, povos de todas as raças. Portugueses, italianos, holandeses, alemães, árabes, japoneses, judeus, africanos, viveram sempre em nossa pátria, e aqui evoluíram e se radicaram sem discriminações, pelo menos ostensivas. Vão-se tantos anos desde a abolição da escravatura! Nada foi mais cruel e absurdo do que usar seres humanos como verdadeiros animais. Afinal a pigmentação da pele não os diferencia das outras criaturas. Não há porque guardar essa lembrança como um estigma, pois em nosso país a mistura de raças é uma realidade. As variadas atividades hoje estão abertas para toda a gente. O que vale é a potencialidade de cada um. São poucas as pessoas que discriminam essa ou aquela casta, esse ou aquele modo de viver, ou avaliam as criaturas pelo status. A miséria que assola o Brasil independe do pigmento da pele. É causada pela inconsciência na concepção da maternidade e pela irresponsabilidade dos governos que não dão a devida atenção a esse enorme problema social. É muito lícito que se homenageie todos aqueles que lutaram pela abolição, como o Zumbi, etc. Mas quantos negros e mulatos existem no nosso País que são admirados pela sua genialidade em diversas atividades, como Machado de Assis, José do Patrocínio, Benedita da Silva, Daiane dos Santos, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan, Pelé, Ronaldinho, Camila Pitanga, Gloria Maria e outros mais. As belas mulatas, que tanto embelezam as escolas de samba com seu rebolado de típica cadência, são verdadeiras mensageiras, através do mundo, de nossa dança popular. O Brasil civilizado foi construído por todos esses povos que aqui vieram habitar e dar o seu esforço para consolidar o país no contexto universal. Se formos criar uma nação para cada setor social que se acha discriminado, estaremos comprometendo a unidade nacional. (*) É membro da Academia Alagoana de Cultura.

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