Opinião
Esperan�a viva
ELZA DOS SANTOS PEDROSO * Está sendo desenvolvido pioneiramente, no Brasil, o maior estudo do mundo com a utilização de células-tronco para a cura de doenças cardíacas graves. Em curso desde o dia 10 deste mês, este projeto está mobilizando 33 instituições em nove estados e no Distrito Federal e 1.200 pacientes envolvidos (dos quais 600 receberão células-tronco). A utilização de células-tronco na medicina representa a possibilidade de tratamento para grande número de doenças que atingem a população. Pesquisas demonstram que elas têm potencial ilimitado de auto-renovação e capacidade de originar linhagens celulares com diferentes funções. Por isso, podem recompor tecidos danificados. Os cientistas acreditam que células-tronco (CT) podem ajudar a tratar várias doenças como o mal de Parkinson, o câncer e problemas cardíacos sérios. Existem dois tipos de células-tronco: as extraídas de tecidos maduros de adultos e crianças ou as retiradas de embriões. Células retiradas de tecidos maduros, como a medula óssea, são mais especializadas e dão origem a apenas alguns tecidos do corpo. Por outro lado, as retiradas de embriões têm maior versatilidade, por isso essa opção é a mais buscada. O transplante pode ser feito a partir da medula óssea do próprio paciente, por meio de um processo chamado ?autólogo?, no qual, por punção, são retirados entre 50ml e 100ml da medula, da crista ilíaca (bacia) do paciente. Esse material passa por um processo de separação, em que são isoladas células mononucleares (em geral, entre 100 milhões e 600 milhões). Dessas, calcula-se que uma em cada 100 mil venha a ser uma célula-tronco. Elas são introduzidas por cateter na região afetada. A quantidade é pequena. Mas, uma vez que as CT encontram um ambiente adequado, é o suficiente para recuperar vasos e tecidos atingidos por infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica - objetos do estudo. Com isso, as CT aumentam a capacidade de contração do coração, tornando o tecido muscular uma bomba mais eficiente. Nesse caso de pesquisas em transplantes autólogos, foram escolhidos quatro campos de pesquisa, porque eles cobrem as doenças mais freqüentes. Ficam de fora do estudo, praticamente, apenas as cardiopatias que decorrem de defeitos valvares. Essas quatro cardiopatias escolhidas para a pesquisa quase sempre evoluem para a insuficiência cardíaca (existem quatro milhões de pessoas hoje nessa condição) e acabam conduzindo o paciente para a fila de transplantes. Por outro lado, o arsenal de medicamentos não reverte o problema - apenas estabiliza o quadro. (*) É professora e pesquisadora do tema.