Opinião
O metal da sedu��o
Elias Tavares Cordeiro * Já na época das grandes conquistas, existia o egoísmo desvairado. Quando o jovem Rei Alexandre Magno, conquistador do mundo civilizado, na época do seu prestígio, fez uma viagem a Grécia, quis ludibriar o maior filósofo popular daquela época, ?Diógenes?, aquele homem sábio, desprovido de ambições materiais e que morava humildemente nos arredores de Atenas. O Rei Alexandre postado diante dele e admirado em ver aquela grandeza na pobreza, dirigiu-se ao velho filósofo que naquele momento estava de cócora na porta da sua casa disse: - O que quiseres eu te darei, palácio, tesouro e honrarias. E naquele momento a resposta veio tão simples quanto contundente e fez o Rei dar meia volta e desaparecer: - Magestade, não me tireis aquilo que não podeis me dar? O que seria? - Era tão-somente o calor do sol; porque de pé o Rei tinha interposto entre o sol e o filósofo, que naquele dia fazia muito frio e ele procurava esquentar-se um pouco. É de grande valor repetir essa riqueza de relacionamento humano, para que a arrogância e a soberba daqueles que estão destruindo as últimas reservas de vitalidade das instituições do nosso país se desfaçam diante da existência de valores bem superiores a eles Para esse mal, temos a comunicação cibernética entre satélites que vasculham suas vidas, levando ao povo em segundos a improbidade funcional em interesses próprios, sem escrúpulos, tirando proveito do erário público, fazendo jus ao que não lhes pertence, conquistando vitórias econômicas fraudulentas, objetivando suas vontades, estabelecendo as suas premissas aritméticas. O cidadão de bem hoje é coberto de achincalhos públicos, exposto a esses procedimentos inescrupulosos. Para obter essas conquistas esses malfeitores desfilam indevidamente vestidos com a túnica da ética. Não vamos deixar que eles continuem avançando e logrando sucessos constrangindo os anseios da sociedade. Não dá para aceitar em silêncio os atos de corrupção ocorridos em nosso país. Urge que as autoridades acordem. Existem muitos homens de brio em nossa nação para cauterizar as pustulências da sociedade, que estão necrosadas. Medidas devem ser tomadas para que as improbidades não fiquem impunes. Deixar como estar é tirar dos brasileiros aquilo que Alexandre Magno tirou momentaneamente do filósofo Diógenes: - A luz, o calor, a imaginação, a liberdade, o direito de pensar, de viver diferente sem se deixar iludir pelo dinheiro, o Metal da Sedução. (*) É advogado.