Opinião
Renova��o e liturgia

Dom José Carlos Melo, CM * Em 4 de dezembro de 1963, o papa Paulo VI promulgava solenemente o primeiro documento do Concílio Ecumênico Vaticano II sobre a Renovação Litúrgica que recebeu o nome de Constituição Sacrosanctum Concilium. Foi o toque inicial do processo de renovação da Igreja preconizado por João XXIII. Na sessão solene daquele dia, contou com a extraordinária aprovação de 2.158 votos, com apenas quatro sufrágios negativos. Este ano, celebraremos o 43º aniversário da Constituição Sacrosanctum Concilium. Convocado por João XXIII, em 25 de janeiro de 1959 e concluído por seu sucessor Paulo VI em 07 de dezembro de 1965, o Concílio Ecumênico Vaticano II foi um especial Dom do Espírito santo à Igreja, foi como uma pequena semente que depositamos com ânimo e mãos trêmulas. A este respeito, afirma o próprio João XXIII na Bula Humanae Salutis de 25 de dezembro de 1961: Diante deste duplo espetáculo: um mundo que revela um grave estado de indigência e a Igreja de Cristo, tão vibrante de vitalidade, nós, desde quando subimos ao Supremo Pontificado, não obstante nossa indignidade e por um desígnio da Providência, sentimos logo o urgente dever de conclamar os novos filhos para dar à Igreja a possibilidade de contribuir mais eficazmente na solução dos problemas da idade moderna. Numa intuição profética, com segurança, conclui o Pontífice: Por esse motivo, acolhendo como vinda do alto uma voz íntima de nosso espírito, julgamos estar maduro o tempo para oferecermos à Igreja Católica e ao mundo o Dom de um novo Concílio Ecumênico, em acréscimo e continuação à série dos vinte grandes Concílios, realizados ao longo dos séculos, como verdadeira providência eclesial para incremento da graça na alma dos fiéis e para o progresso cristão. A partir destas afirmações, podemos definir os objetivos do Concílio: 1º - fomentar sempre mais a vida cristã entre os fiéis; 2º - acomodar melhor as necessidades de nossa época às instituições que são susceptíveis de mudanças; 3º - favorecer tudo o que possa contribuir para a união dos que crêem em Cristo; 4º - promover tudo o que conduz ao chamamento de todos ao seio da Igreja. ( SCV 1/521). Na verdade, a liturgia, pela qual, sobretudo no divino Sacrifício Eucarístico, se exerce a obra de nossa Redenção, contribui de modo mais excelente para que os fiéis exprimam em suas vidas e manifestem aos outros o Mistério de Cristo e a genuína natureza da verdadeira Igreja. Nela, vive-se, celebra-se e anuncia-se aos outros o Mistério de Cristo. Para levar adiante sua obra, Cristo está presente em sua Igreja. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.