Opinião
Um exemplo de vida
| Arlene Miranda * Quando completei 15 anos, tomei uma decisão. Com formação religiosa, tendo sido aluna do Colégio Santíssimo Sacramento, o fato de ser pagã me fazia sentir extremamente frustrada, principalmente por não poder comungar como as outras alunas. Foi então que decidi por meu batismo. Observei as pessoas que me pareciam as melhores para me levar à pia batismal e me tornar cristã e não tive dúvidas, escolhi o meu irmão Virgílio e a esposa Maria Emília, nossa bondosa cunhada Mariinha, para meus padrinhos. Ambos me pareceram felizes com aquela minha prova de amor. O batizado realizou-se na Matriz Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá, oficiado pelo Padre José Thews, numa esplendorosa manhã de sol. Dali em diante, Mariinha passou a zelar pelo meu bem-estar, como boa madrinha, defendendo a minha felicidade e sempre atenta ao meu crescimento, sobretudo espiritual. Aprendi com ela a amar a Deus, a olhar os pobres com caridade, a ver a vida como bem supremo, diante do exemplo de fé cristã que nos deu. Falar das suas virtudes é quase impossível, ante aquelas que foram tantas. Desde muito jovem, Mariinha sempre foi muito religiosa, sendo inclusive Filha de Maria, na Matriz de Jaraguá. Piedosa, sensível aos clamores dos desvalidos, acolhia mendigos em sua casa, dando-lhes comida e roupa limpa, fazendo-os tomarem banho no chuveirão do seu quintal. Jamais negou ajuda a quem necessitasse. Era aquela irmã em Cristo generosa que dividia o pão com o semelhante, procurando amenizar, de alguma forma, a dor de cada um. Era comovente ver o sentimento de ternura que nutria pelo próximo, um exemplo de extrema caridade. Todas as pessoas que com ela conviveram aprenderam a amá-la, e inúmeros foram os amigos que conquistou. Lembro-me de certa vez em que, ao admirar o bonito vestido que ela vestia, tive a grata surpresa de vê-la retornar à nossa casa, minutos depois, carregando no braço o belo vestido para me ofertar. Aquele seu gesto emocionou-me imensamente. Agora que Deus a levou de nós, revejo-a sempre presente em nossa vida, bondosa, terna, um exemplo de esposa e mãe extremosa, boa irmã, sogra, avó, tia, cunhada, amiga. Católica fervorosa, grata das graças do Pai, fiel à sua Igreja e com extrema confiança no Deus que tanto amou, isso a fez suportar, com coragem e resignação, o sofrimento causado pela terrível enfermidade que a maltratou durante cinco longos meses. (*) É jornalista.