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Opinião

Rea��o da sociedade

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Mario Ernesto Humberg * Os políticos e os governantes, de um modo geral e com raras exceções, acreditam que eles devem efetuar todos os gastos necessários para manter uma posição privilegiada para si próprios e ao mesmo tempo criar condições favoráveis a sua reeleição e de seus partidários, e que o restante da nação deve pagar por isso. O movimento de mais de mil entidades empresariais e profissionais contra o aumento de tributos incluído de contrabando na MP 232, que se destinava originalmente a corrigir em 10% a tabela do imposto de renda na fonte sobre os assalariados, mostrou que a sociedade não agüenta mais ser surpreendida com novos encargos tributários. Todo aumento de tributos acaba sendo um desestímulo ao empreendedorismo e à criação de empregos e outros postos de trabalho regulares, além de dar um novo impulso ao crescimento da economia informal ou semi-informal, que hoje domina grandes segmentos de nossa atividade econômica. Assim, é crescente o número de empresas, empresários e profissionais que estão se convencendo que a única forma de sobreviver é aderir à informalidade e à sonegação. Essa posição empresarial e profissional, embora compreensível, face ao aumento de tributos e ao correspondente mau uso dos recursos, é muito negativa para o futuro do país, por duas razões principais. A primeira é porque envolve uma descrença em valores como a correção, a honestidade e a ética, misturando na mesma atitude com o uso do caixa dois, laranjas, envio de recursos ilegalmente para paraísos fiscais e outras manobras, pessoas que exercem atividades legais produtivas e a criminalidade, para quem esses instrumentos são essenciais. A outra razão, não menos importante, é que há um limite para o crescimento da empresa quando se trabalha à margem da lei. Por essas razões é muito significativa a corrente que se formou para lutar contra o aumento de tributos representado pela MP 232. É preciso que a sociedade e, particularmente, as entidades empresariais e profissionais continuem mobilizadas e atuando para que os governos busquem aumentar sua eficiência, reduzindo a pesada carga tributária que hoje existe, compatibilizando-a com a dos outros países em desenvolvimento, que fica na faixa de 20% do PIB e não 36% como aqui. Essa mudança é essencial para que possamos todos, empresários, empregados e profissionais, transformar o país que temos no país que queremos, como propõe o Projeto Brasil 2022 do PNBE, que visa chegar aos 200 anos de nossa independência, com um país socialmente justo, economicamente forte, ambientalmente sustentável, politicamente democrático e eticamente respeitável. (*) É coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais/PNBE.

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