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EUA: riqueza e decad�ncia

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A. SÉRGIO BARROSO * Em entrevista à Carta Capital (2000), o famoso sociólogo Robert Bellah disparou: ?Somos uma sociedade em colapso?. Bellah se referia à epidêmica decomposição moral e social que sufocam os EUA, seu país. Foi recado taxativo a intelectuais que, no mundo da lua, negam a decadência histórica do império norte-americano. Senão o que explicaria a economia maior do planeta, com um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de US$ 12 trilhões, ter mais de 20% de suas crianças (ONU, 2004) abaixo da linha de pobreza? Ter menos de 300 milhões de habitantes e 2,5 milhões de pessoas encarceradas, a grande maioria jovem? Aliás, segundo a (insuspeita) ong Human Rights Watch, 180 mil presos sofreram violação sexual nas prisões dos EUA, apenas em 1996. EUA que em 1995 consumia 52% da cocaína produzida no mundo, uso considerado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (ONU, 2004) ?inquietantemente alto?; o país é um valhacouto de ?traficantes e fabricantes em grande escala? ? diz o relatório. Nesse rastro de desgraças é inovador o estudo de Barbara Ehrenreich, ?Miséria à americana? (Record, 2004), sobre o processo de deterioração do capitalismo americano: Phd em Biologia, e autora de ?O medo da queda? (Scritta, 1994), retrato do declínio da classe média americana, agora vivencia a superexploração do trabalho buscando emprego de faxineira, ajudante em asilo, garçonete e por aí vai. Para entender do ?milagre? da sobrevivência dos trabalhadores precários, ?os pobres de verdade? dos EUA, entre 1998-2000, anos ali tidos como exuberantemente prósperos. Barbara, no Estado da Flórida (Sul), é aceita no supermercado Winn-Dixie; mas compara e conclui que, tendo alugado uma casa por US$ 500, não valeria a pena receber US$ 6 por hora para ?empilhar caixas de sucrilhos?, ou então ?passar aspirador em quartos de hotel?, depois de ter que está ?diposta a se agachar e mijar na frente de uma profissional de saúde?, o compulsivo exame antidroga. A Nordeste, em Portland (Maine), após maratona de entrevistas: emprego de faxineira durante a semana, e aos sábados e domingos num asilo com portadores do mal de Alzheimer; por uma semana de 40 horas, o salário no The Maids (limpeza doméstica) ficaria apenas US$ 43 acima da linha de pobreza, segundo critérios oficiais! Em Minneapolis (Minnesota, Norte) emprega-se na maior empresa de varejo do mundo, a Wal-Mart; por US$ 7 a hora sofre jornadas de trabalho de 11 horas/dia, sem o pagamento de horas extra. ?Miséria à americana? chafurda e desmistifica o tal modo de vida americano. (*) É médico e doutorando em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp.

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