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O C�digo da Vinci

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| Dom Fernando Iório * Atualmente, quase só se fala desse livro, de seu prodígio publicitário. A causa de tamanho êxito deve ser o veemente ataque à Igreja Católica, através de uma de suas instituições: a Opus Dei. O livro é volumoso, com suas 475 páginas, na edição brasileira. Trata-se, em síntese, de um romance policial, do qual não se pode esperar exatidão histórica alguma, nem afirmações verossímeis. O autor desfecha uma saraivada de mentiras em meio de supostos acontecimentos históricos, envolvidos em artificiosos ornamentos literários. ?Menti, menti... porque alguma coisa ficará?, proclamava Voltaire. Dir-se-ia que o anticatolicismo e a acrimônia contra a Igreja Católica parecem ser, ainda, um dos preconceitos apresentados por certos escritores, no desejo de ficar em evidência e acumular riquezas incalculáveis. A principal finalidade da obra parece ser, decididamente, desmoralizar a fé no Catolicismo, desarticulando-o da História, por meio de legendas apoiadas em fundamentos falsos ou mitológicos. Para Dan Brown importa causar impacto contra os mais sagrados valores da fé professada por milhões de criaturas humanas. O importante para o autor é tentar desmitificar a pessoa de Jesus Cristo, cuja divindade é negada. Procura falsear sua doutrina, manchar sua reputação, fantasiando seu relacionamento com Maria Madalena e com o apóstolo João Evangelista, negando, por fim, o fato de sua ressurreição gloriosa. Os documentos históricos que sustentariam os argumentos do autor, referidos várias vezes, como verdadeiros, em nenhum momento são explicitados na obra. As falsas afirmações constituem o fundamento no qual é desenvolvido o hipotético enredo da obra envolvendo a Igreja de Cristo, o Priorado de Sião, a Ordem dos Templários e a habitual Inquisição. Entretanto, demonstra Brown engenhosa criatividade na interpretação de duas célebres obras de Leonardo da Vinci: o quadro da Mona Lisa e o desenho do Homem Vitruriano - símbolo da cultura moderna. No ?Código?, a Opus Dei é uma ?tropa de choque?, cujos membros passaram por profunda lavagem cerebral; Madalena é esposa de Cristo, iniciando uma genealogia que subsiste até hoje, na imaginação do autor. A despeito de sua qualidade literária e da simpatia conquistada no grande público, é uma obra sectária, historicamente inválida, caluniosa, com destino lucrativo. Sem qualquer dúvida, atacando a tradição católica que se desenvolveo há mais de 2.000 anos, os falsos argumentos do Código da Vinci só poderiam gerar fabulosos rendimentos para os bolsos dos editores e do autor dessa famigerada obra que macula a verdade histórica da autêntica história da Igreja Católica. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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