Opinião
Adeus �s armas
Domingo passado, neste mesmo espaço, retornamos à questão da campanha do desarmamento e, hoje, batemos na mesma tecla. Relembramos o levantamento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) onde está dito que o Brasil, apesar de não estar em guerra, e ter apenas 2,8% da população mundial, já registra 11% dos homicídios por arma de fogo no mundo. Um novo estudo, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz ? coordenador do escritório da Unesco em Pernambuco ? resultou em livro e os resultados dessa pesquisa foram apresentados anteontem em Brasília, ratificando os números anteriormente denunciados e apresenta novos dados, ainda mais preocupantes, registrados ao longo de 25 anos. De acordo com esses dados, só agora publicados pela Unesco, apenas ao longo deste quarto de século ocorreram mais de 550 mil mortes por tiros no Brasil, sendo que 502 mil do total foram assassinatos. Em 24 anos, as vítimas de armas de fogo cresceram 461,8%, enquanto a população aumentou 51,8%. Só nos últimos dez anos foram assassinadas 325.551 pessoas por armas de fogo no País (média de 32.555 mortes por ano). Segundo a Unesco, este número é superior ao de vítimas de 26 conflitos armados, como a Guerra do Golfo e a disputa territorial. Tais dados reforçam a importância particular do referendo previsto para outubro próximo, quando a população eleitoral brasileira vai definir, por intermédio do voto, a proibição do comércio de armas e munição em todo o território nacional. Essa decisão já consta do estabelecido pelo Estatuto do Desarmamento, sancionado em 2003, mas que ainda depende de aprovação na Câmara, onde se encontra há vários meses. O referendum, voz do povo, é a grande chance, de uma vez por todas, da cidadania brasileira se despedir dessa ameaça armada que teima em rondar os lares.