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Opinião

Frederico Maia Filho - Mainha

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Roberto Costa Farias * Ainda em minha infância, quando passava férias na fazenda Carrapateira, em Quebrangulo, município de adoção do meu bisavô materno e prefeito em três períodos, João Leão Feitosa ? Paizinho Leão. Recordo da igual notoriedade do seu prefeito Frederico Maia Filho, aliando-se ao seu caráter, seu porte altaneiro, de silhueta forte, e cuja percepção da sua personalidade ficou o registro em minha memória; fidalgo, homem público, amigo, realizador de obras e duradouras alianças, fazendeiro nato, prefeito em Quebrangulo por três mandatos. Além de notável caçador e patrocinador incansável, anualmente, das festas de São Pedro, em seu reduto agropecuário. Consciente de sua natural habilidade para o comando e seguido por muitos até hoje, é um verdadeiro líder, sábio e amistoso em opiniões e conselhos, sua casa está sempre cheia, e, como exímio anfitrião, vem passando a boa conduta na forma de viver com sua amada Creuza às gerações que seguem seus genes. Seu Mainha, como é mais conhecido, é das pessoas que a gente quer ser igual. Como nos bons filmes em que ao sairmos do cinema queremos seguir o exemplo do mocinho. Tranqüilidade acima de tudo, paciente com a afoiteza alheia, derramando ensinamentos constantes de tolerância tão propalados na religião católica, da qual é fervoroso seguidor, e tão escassos em nosso tempo. O Riachão, sua propriedade, onde se respira ar puro de verdade, é um lugar que reflete o modo de vida no campo; pastos e paisagens que, na definição do mestre Aurélio, abarca-se na vista, fruteiras próximas à casa, a antiga casa-sede de seus pais preservando a memória de outrora, as brumas da mata, água limpa e gelada pela natureza, o Riacho Cafuringa, a piscina, as cercas vivas de mulungus, os açudes (onde os pescados são distribuídos na Semana Santa), os córregos outros com as margens sempre protegidas por arvoredos ciliares, os lajeiros e as bromeliáceas, as criações, a agricultura racional, cantos de pássaros, ninhos encantadores, os jardins de hortênsias e orquídeas. Desfrutar de tanta coisa boa, fruto de trabalho e dedicação contínuos, todos os dias, anos a fio, torna impossível imaginar quão árduos foram os percalços que permearam dias felizes, entre tantos arrodeios que a vida nos confere e, que foram vencidos pela fibra e o amor que o casamento aprimora na união cotidianamente, pois não existe um grande homem sem uma grande mulher e vice-versa. Deus os abençoe queridíssimo casal. Agradeço por poder compartilhar a existência com vocês. Obs.: Este artigo foi escrito quando Mainha estava vivo. Nasceu em Quebrangulo em maio de 1926 e faleceu em Maceió em 23 de abril de 2005. (*) É arquiteto e professor.

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