Opinião
Lutas pela inclus�o
Depois de várias discussões preparatórias realizadas nos estados, começa hoje a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial que planeja reunir, neste fim de semana, em Brasília, cerca de 2 mil pessoas ? anuncia-se a presença de negros, brancos, índios, ciganos, muçulmanos e ?representantes de outros povos?. O evento se anuncia como ?a continuação das lutas por políticas públicas contra as formas de desigualdades de discriminação e intolerância?. Os organizadores apostam que essa será uma excepcional oportunidade para ?o Brasil conhecer o Brasil?, e que graças ao sucesso dessa primeira iniciativa, outros debates de alto nível deverão dar continuidade às pautas que serão discutidas na Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. De fato, é importante o sucesso da iniciativa, principalmente no sentido de que as propostas ganhem objetividade e que sejam traçadas metas exeqüíveis de encaminhamento para as deliberações. Que, finalmente, se comece a passar da fase do protesto para a fase das proposições concretas. Problema menosprezado durante séculos, a exclusão racial no Brasil tem raízes profundas e se alimenta de certa passividade e conformismo que sempre grassou entre a maioria das vítimas das desigualdades raciais. Negros e índios são os segmentos mais sofridos, apesar das muitas e elogiáveis campanhas de conscientização até hoje levadas adiante. Nesse sentido, apesar das falhas, a recente proposta das cotas nas universidades trouxe à tona o grave problema da marginalização racial nos centros de ensino. Grande polêmica também tem sido levantada acerca da delimitação das terras indígenas, mas quase nada se tem discutido sobre a inclusão das populações nos direitos contemporâneos ao saber, à tecnologia, ao emprego e conquistas da cidadania. Que essa conferência tenha sucesso e que se multiplique em conquistas reais.