Opinião
O sonho da casa pr�pria
ELIAS TAVARES CORDEIRO * O maior sonho da maioria dos brasileiros é ter a sua casa própria, mas sabemos o quanto é difícil conseguir o dinheiro para comprá-la, em razão da sua remuneração mínima, que recebe ou da falta de emprego. Hoje, o novo excluído social revela características diferentes dos critérios anteriores, que eram famílias numerosas e com pouco estudo, agora a exclusão atingiu também aqueles que antes estavam fora dessa condição, dilema decorrente do avanço tecnológico que propiciou maior interação, gerando elementos favoráveis a uns e desfavoráveis a outros não preparados, interferindo nas providências que limitam o trabalho, estabelecendo-lhe o âmbito de seus domínios e o clima de exceções, que as circunstâncias justificam; a ociosidade e a mendicância, em prejuízo da decência e do equilíbrio social. Não é justo que a vida lhes corra aflita, por conseqüência de que não são culpados, destituídos das mínimas prerrogativas dos seus direitos a uma existência digna, em detrimento do progresso acelerado, sofrendo e passando humilhação moral, de haverem de viver de caridade. É necessário que haja efetiva assistência a essas populações carentes, que medram nas periferias, provendo a tudo. É preciso romper as amarras do modismo fácil em que todos encastelam, e exigir o cumprimento das normas da lei para o movimento das atividades assistenciais, por meio de entidades idôneas. Essa é uma conscientização global. Providências inadiáveis devem ser tomadas, no sentido de garantir uma moradia digna aos cidadãos de agora e do futuro. Existem alguns programas do poder público que visa solucionar esses problemas, mas ainda são poucos, e não atende à demanda demográfica. Até os pássaros têm os seus lares, vejamos o João de Barro, que constrói a sua casa no tronco da baraúna, no ângulo do poste e os animais superiores, que fazem o covil na terra ou na mata, constroem com energia e entusiasmo. Não sabemos que sentimento os movem para assim proceder, mas conhecemos o propósito de seus solícitos preparativos; em pouco tempo os ninhos e os covis hão de servir de berço aos filhotes que ali encontrarão, o calor e a proteção contra o frio e os inimigos. Assim como os animais sentem esse imperioso impulso de ter morada fixa e segura, clama também no coração humano a mesma voz, de ter um lar para edificar a sua felicidade ou a sua desventura. Que eloqüente desdita revela aquela frase empregada há vinte séculos, pelo Rabino da Galiléia, cujas palavras tanto significam para o coração humano: ?As raposas têm covis e as aves têm seus ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.? (*) É advogado.