loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Mazelas renitentes

Ouvir
Compartilhar

Quase metade de todas as crianças moradoras na Favela Sururu de Capote apresentam déficit de crescimento e desnutrição. Isso está relatado na pesquisa realizada por uma entidade chamada Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos e se baseou em estudo desenvolvido, nessa comunidade maceioense, numa faixa etária dos seis meses aos dois anos de idade. Tais índices, alertam os especialistas, são típicos dos piores bolsões de miséria do mundo, mas não devem ter surpreendido quem conhece os dramas enfrentados nessa comunidade ? e em outras tantas localidades de nossa Capital, noutras cidades brasileiras e noutros países onde grande parte das famílias vivem abaixo da linha da pobreza. No caso da comunidade Sururu de Capote, tal realidade motivou uma manifestação das crianças sob risco pelo ?direito de comer e viver?. Representantes de entidades da sociedade civil acompanharam a criançada ao Palácio Floriano Peixoto e à sede da Prefeitura de Maceió: clamavam por uma realidade que deveria ser menos constrangedora e vergonhosa. Apesar do agravamento, essa dura realidade não pode ser considerada uma surpresa, afinal desde a década de 60 (há quase meio século, portanto), estudos realizados e devidamente publicados sobre as condições de saúde pública em Maceió já apontavam um grave problema naquela época, quando Maceió ocupava um vergonhoso segundo lugar entre as capitais brasileiras com maior número de mortes, entre crianças, causadas por diarréias infecciosas. Nesses quarenta anos, Maceió tem inchado muito, multiplicando perigosamente o número de viventes em condições insalubres, e ? dentre essas áreas inadequadas ? as lindas margens das lagoas continuam sendo, por falta de obras de saneamento, um ninho de fome e doenças para todos que ali tentam sobreviver.

Relacionadas