Opinião
Pastoral da Terra
Dom José Carlos Melo * Dentro da missão evangelizadora da Igreja, existe uma preocupação sociotransformadora do evangelho na prática cotidiana. Por esse motivo é importante que entendamos o que são as ?Pastorais Sociais?. Elas são serviços específicos a categorias de pessoas ou situações também específicas da realidade social. Constituem ações voltadas concretamente para os diferentes grupos ou facetas da exclusão social, como, por exemplo, a realidade do campo, da rua, do mundo, do trabalho, da mobilidade humana e assim por diante. Nesta dimensão sociotransformadora, a partir da conscientização, da organização e mobilização, abrem-se caminhos alternativos. Mas é preciso chamar a atenção da Igreja e da sociedade para esse quadro de injustiças cada vez mais grave. A Pastoral Social tem como finalidade concretizar em ações sociais e específicas a solicitude da Igreja diante de situações reais de marginalização. Daí, a Igreja tem o papel de alertar os fiéis para a tarefa de identificar, entre os filhos e filhas de Deus, os rostos mais sofridos. Por estes dias, na Catedral Metropolitana de Maceió, tive a oportunidade de celebrar os 30 anos da criação da Pastoral da Terra, que trabalha em prol dos menos favorecidos. Contamos com a presença do Coordenador Regional, Pe. Hermínio e os demais membros da Comissão. Fiz questão de deixar claro o papel da Igreja: Transformar a ação não em uma simples luta de classe, mas, uma promoção da pessoa humana em todas as suas conjecturas. A dimensão sociotransformadora da ação da Igreja é constituída de quatro aspectos complementares e indissociáveis: sensibilidade para com os fracos e indefesos, solidariedade em frente a determinadas emergências, profetismo no combate à injustiça e espiritualidade libertadora. Na medida do possível, nossa Arquidiocese tem procurado apoiar essas pastorais para um melhor desenvolvimento da ação evangelizadora na Igreja. Porém, sentimos a necessidade de um equilíbrio pastoral para não transformarmos esta causa que é nobre em uma simples luta de classes. As Pastorais Sociais têm como objetivo desenvolver atividades concretas que viabilizem essa transformação em situações específicas, tais como o mundo do trabalho, a realidade das ruas, o campo da mobilidade humana, os presídios, as situações de marginalização da mulher, dos trabalhadores rurais, dos pescadores, e assim por diante. Que nossa luta seja um propósito de vida e ao mesmo tempo uma consciência do dever cumprido, inspirados na afirmação do Pai da Caridade, São Vicente: ?Os pobres são meu peso e minha dor?. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.