Opinião
A bela Ba�a da Geleira e Ketchikan
Lysette Lyra * Depois de nossa visita a Skagway, voltamos ao navio para continuarmos nossa viagem. O cassino está sempre lotado, e eu adoro o barulhinho dos caça-níqueis derramando as moedinhas, num enganoso convite à esperança! Viajamos toda noite e no dia seguinte amanhecemos na Baía da Geleira, encantados com o que nossos olhos descortinavam! O navio aproximava-se mais e mais da grande glacial, a maior do mundo e a de maior vitalidade. Numa espessura de 4.000 pés, com mais de 20 milhas de largura, essa massa azul de gelo desce, lentamente, entre as encostas do monte St. Elias (5.489m). De vez em quando ouvimos um estrondo e enormes blocos desabam no mar, já repleto de icebergs de vários tamanhos. É um espetáculo maravilhoso que ficará para sempre em nossa memória. De máquinas em punho procuramos fixar a grandeza do cenário para exibi-lo aos amigos brasileiros. Navegamos o resto do dia e toda a noite pelo Inside Passage, para alcançarmos a cidade de Ketchikan, nossa última escala. Foi habitada nos primeiros tempos pelos índios Tlingit os quais lhe deram esse nome que significa Asas Estrondosas de uma Águia. É conhecida pela Capital Mundial do Salmão. Seis qualidades desse peixe, muito abundante em suas águas, aqui vêm sempre desovar. Foram construídos criatórios de salmão nos bancos de Ketchikan Creek, os quais muito prosperaram tornando-se, essa, sua principal economia. No princípio do século XX, descobriu-se ouro e cobre nas colinas próximas da cidade que se transformou no centro de abastecimento para todas as minas da área ao redor. Na segunda Guerra Mundial, Ketchikan serviu como importante base para a Guarda Costeira dos EUA Apesar de sua população de 14.000 pessoas, é muito organizada, com bons bares, restaurantes e hotéis. Atrai muitos turistas. Seus bairros residenciais possuem luxuosas habitações e seus parques e bosques fazem dela um lugar acolhedor. Guarda uma bela coleção de totens feitos pelos índios, assim como casas por eles, anteriormente, habitadas, todos lindamente ornados de figuras esculturadas e coloridas. No comércio vemos muito artesanato de origem russa. Assim como as danças são semelhantes às vistas no país vizinho, a quem, no princípio, o Alaska pertencia, até ter sido comprado pelos Estados Unidos, em 1884. O desenvolvimento desse Estado só se definiu depois da Segunda Guerra Mundial. O Alasca é muito montanhoso. O ponto mais alto da América do Norte, o Monte Mac Kinley (6.187m), fica em seu território. Possui apenas 352.000 habitantes para uma área de 1,5 milhão de km². (*) É membro da Academia Maceioense de Letras.