Opinião
Her�is an�nimos
Milton Hênio * No dia 29, às 8 horas da manhã, fui visitar um pequeno paciente na Unidade de Emergência Armando Lages, o nosso tradicional Pronto-Socorro. E, confesso, fiquei impressionado com o que vi: os corredores repletos de doentes pobres deitados em macas ao lado de seus acompanhantes, colchonetes com outros tantos, homens e mulheres idosos em sua maioria, com faces de sofrimento e angustiados. A enfermaria de crianças superlotada, assim como a UTI. E fiquei a olhar e admirar a equipe médica e o corpo de enfermagem que se desdobravam para socorrer a todos. Era uma luta realmente desigual. E chegando mais doentes, mais doentes. Uma loucura! Então, ao ver aquela equipe de abnegados profissionais em grande desvelo para aliviar o sofrimento do seu próximo, passei a chamá-los de heróis anônimos. E assim me despedi deles ao sair daquele hospital. Por mais que se esforcem, que se dediquem, que se doem aos pacientes sofredores, não conseguem fazer o melhor como seria o ideal. É gente demais querendo ser atendida no mesmo local. Do diretor ao mais simples funcionário, acredito que vive uma situação profundamente desgastante. E o pior é que não vemos de imediato solução para este grave problema. A Unidade de Emergência foi criada há 30 anos quando Maceió tinha uma população de 400 mil habitantes. Hoje tem perto de 900 mil e o espaço daquele hospital de emergência é o mesmo. Os tempos modernos são cheios de contrastes, não só aqui em Alagoas, como na maioria das cidades brasileiras. Com a chegada do progresso, o nível de vida da população piorou. Segundo estatísticas amplamente conhecidas, aumentaram significativamente, nestes últimos anos, a pobreza, a mortalidade infantil, os índices de acidentes de trabalho, o número de doentes mentais e os acidentes de trânsito. Pioraram, também, as condições de saneamento básico, a poluição ambiental e a qualidade das moradias. E a quantidade de pessoas que depende do SUS é assustadora no Brasil: 80%. Aqui em Alagoas chega a atingir 92%. E para onde essas pessoas irão na hora da dor e do sofrimento? O professor Ib Gatto há anos luta pela construção de um novo Pronto-Socorro no Tabuleiro do Martins. Pergunto eu: até quando a população conseguirá ser atendida naquele espaço diminuto para tanta gente? Até quando aquela equipe extraordinária de médicos, equipe de enfermagem, estagiários de medicina conseguirão ter forças para superar tantas dificuldades? Dr. Adib Jatene, em palestra aqui em Maceió, disse: ?O sistema de saúde vigente no Brasil está cheio de falhas, pois oferecemos o máximo a alguns e o mínimo à grande parte da população?. (*) É médico ([email protected]).